Oprofeta

Oprofeta

domingo, 31 de julho de 2011

Antes que partas


Como uma gota de chuva no deserto as minha
Palavras se perdem em teu coração. Como um
Grito á porta de um ouvido moco, as minhas
Palavras chegam a ti sem ter acesso ao teu coração.
Triste, observo a tua indiferença, uma indiferença
Criada para me magoar, para entristecer uma
Alegria que aguarda ansiosa pelo teu retorno para
Os meus braços.

Não te quero ver morrer! Recuso-me a aceitar que
Te perdi, que já fizestes a tua escolha final.
Mora em mim uma tristeza para a qual não me
Preparei, um peso, um corte, uma dor que pede
Para esperar um pouco mais, que me diz que
Perceberás o teu erro antes que a última porta se
Feche atrás de ti.

Como uma onda violenta no mar, grito para que
Ouças-me, para que aceites as minhas palavras, e
Para que voltes para mim. Como uma tempestade
Desabo sobre ti para que percebas a minha
Presença e não partas para onde nunca quis que
Partisses e, como uma mãe, te imploro para que
Não despreze o conforto do meu amor por ti.

                             *

sábado, 23 de julho de 2011

O planeta - The planet


O planeta está chorando, reclamando
E nós nos recusando a ouvi-lo.  A terra pede a
Nossa atenção, grita com um grito mudo, num soluço
Que cai sobre nós em forma de garoa ácida que,
Quase sem se fazer notar,  nos molha,
Nos adoece.

O planeta, desesperado, reclama a nossa
Atenção. Ele quer que vejamos a sua aflição, a sua
Corrida para o fim. A terra reclama e nós  nos recusamos
A ouvir o seu estrondoso silêncio. O tempo, amedrontado,
Já não para mais aqui, ele passa tão rádio por nós que
Parece não querer nos dar tempo de percebermos
Que estamos nos destruindo.

A cada lamento da terra morre uma  flor e
Uma outra deixa de nascer. Somos nós enterrando o
Planeta e o planeta, revoltado, nos enterrando. Ouçamos o
Seu grito silencioso enquanto ele, paciente, reclama a
Nossa atenção. Depois que o planeta nos esquecer
Não haverá mais nada a fazer para
Revertermos a situação.

 
                              *


The planet


The planet is crying, it is complaining against us and we
Refuse to hear it. The earth is asking for our attention, it
Is yelling a silent scream, a sob falls over us as acid mist
That we almost do not notice it, it waters us, it makes us 

Desperate, the planet asks for our attention. The earth
Wants us to notice his distress, his race to the end.
The planet complain against us and we refuse to hear his
Loud silence. The time, frightened by the destruction of
The earth, no longer stops here, it passes by us so fast
That it seems unwilling to give us time to realize that we
Are destroying ourselves by destroying the planet.

In every single earth’s cry a flower dies and another one
are stopped to born. Ours action are burying the planet
And the planet, revolted, is burying us. Let us hear the
Silent scream of the earth, as the earth patiently is
Asking our attention. After the planet has forgot us, there
Will be nothing to be done to reverse the situation.

                             *

Confissão de fé



Deus! O silêncio profundo, a eternidade dos pensamentos, a
Imensidão do amor, a intensidade luz, tudo que representa
O bem e que vence o mal.

                                        *

Crianças de rua

Ouça o grito calado estampado no rosto daquelas crianças naquele
Cruzamento. Ouça os seus gritos, estenda a tua mão e socorra-as
Para que amanhã elas não estejam nas mãos do tráfico. Veja seus
Olhos inocentes suplicando pela tua misericórdia. Hoje elas
Imploram para que salves suas vidas e, se não ouvires as suas
Súplicas agora, amanhã ela virão buscar a tua vida. Não te finjas
De surdo, não recuses a ver o desespero estampado naquele
Rostos inocentes que, se deixado a mercê da própria sorte, será
Abandonado pelo bem e lapidado pelo mal. Ouça o grito calado,
Estampado nos rostos daquelas crianças que mendigam ali
Naquele sinal de trânsito! É um grito que pede: – Me ajude hoje
Para que eu não precise te fazer mal amanhã. 

Olhe nos olhos daquelas crianças e veja, perceba que elas pedem
A tua atenção. Aquelas crianças estão sendo violentadas,
Estupradas pela tua indiferença e, ainda tão pequenas, já tiveram
Roubada suas infância, suas inocência e vagam perdidas sem
Rumo, restando-lhes somente o ato desesperado de pedir, de
Mendigar para sobreviver. Estás vendo aquelas crianças paradas
No sinal de trafego? Se não ajudá-las agora, vítimas do tráfico,
Certamente irão bater à tua porta para cobrar de ti a sua civilidade
Que hoje assistes, passivamente, lhes sendo roubada. Ouça o grito
Desesperado daquelas crianças que dormem nas ruas, nas calçadas
Debaixo de chuvas e no frio.


Ouça, atenda, socorra essas pobres crianças abandonadas nas ruas.
Ouça-as, elas não querem a tua casa, o teu dinheiro, a tua vida.
Essas crianças precisam somente do teu amor, do teu afeto, da tua
Generosidade. Se cada rico do Brasil contribuísse com 0,2% de
Seus vencimentos para acolher os meninos de rua, não teríamos
Meninos nas ruas, não haveria crianças nos sinais de tráfego e nem
Crianças recrutadas pelo tráfico. Com um pouco de nossos carinho,
As FEBEMs não estariam lotadas e a tua, as nossas famílias não
Viveria com medo, nem choraríamos a morte de nossos filhos,
Atropelados pelo tráfico, quando sob o efeito das drogas, ou por
Causa dos efeitos destas. Ouça! Ouçamos os gritos silenciosos
Estampados nos rostos daquelas crianças que mendigam ali,
Naquele sinal de tráfego.

                                             *

O racismo brasileiro - Brazilian racism


Não me diga que ele não existe, porque o vejo em todos os lugares
Onde vou de norte a sul do Brasil. Não me diga que ele não existe,
Porque o vejo, o sinto me censurando, me seguindo, me vigiando
Em cada shopping center, lojas e restaurante „Classe A“ que entro.
Não me diga que ele não existe, porque o sinto me perseguindo, me
Constrangendo, me batendo quando as autoridades policiais me
Param na rua sem razão, sem motivo. Não me diga que ele não
Existe, porque ele me barra nas escolas públicas dos bairros nobres
E nas universidade federais. Não me diga que ele não existe, porque
Sem cotas ele não me permite me educar.

Não me diga que ele não existe porque, por cause dele, sou exceção
Nos Institutos e Academias do Brasil. Não me diga que ele não
Existe, porque por causa dele os meus irmãos pequeninos vagam,
Abandonados nas ruas das cidades brasileiras, onde o sistema os
Escorraçam, transformando-os em bandidos. Não me diga que ele não
Existe porque  por causa dele os presídios estão lotados de pessoas de
Cor, como se só os negros roubassem, cometessem crimes. Não me
Diga que ele não existe pelo simples fato de não me espancares
Quando cruzo contigo nas ruas. Não me digas que ele não existe, só
Porque me permites morar onde eu queira morar, desde que eu não
Seja teu vizinho, claro!


O racismo existe no Brasil, e existe na pior forma que o racismo
Pode existir. O racismo brasileiro é como o câncer, ninguém o vê
Mas ele esta ali matando, excluindo, segregando, maltratando da
Pior forma que se pode maltratar um ser humano. Se o racismo
Brasileiro fosse como em outros países o é, um racismo declarado,
Seria fácil combatê-lo, mas no Brasil o racismo é cínico, perverso,
Demagogo, escondido, é camuflado, tão camuflado que a maioria
Dos negros brasileiros não o percebem e a falta de cultura não lhes
Permite perceber que são discriminados. Não diga mais que não
Existe racismo no Brasil porque é mentira, existe SIM racismo no
Brasil e ele é muito perverso, ele persegue, prende e mata, além de
Ser a forma mais cruel de racismo.

                               * 


Brazilian racism


Do not tell me it does not exist because I see it everywhere in
I go from north to south of Brazil. Do not tell me it does not
Exist because I see it, feel it censuring me, following me,
Watching me in every shopping mall, shops and restaurant
Where I go. Do not tell me it does not exist, because I feel it
Chasing me, embarrassing me, hitting me when a police stop
Me on the street for no reason. Do not tell me the racism is
Not there, because it stop me in the public schools of the
Suburbs and in the federal universities. Do not tell me it does
Not exist, because without quotas it does not allow me to
Educate myself.

Do not tell me it does not exist because of it, I am an exception
At the Institutes and Academies of Brazil. Do not tell me it
Does not exist, because of racism my little brothers roam,
Abandoned on the streets of Brazilian cities, where the system
Abuse them, turning them into criminals. Do not tell me that
There are no racism in Brazil because, because of it the
Brazilians prisons are full of black people, as if only black
People steal, commit crimes. Don’t say racism is not there just
Because you do not beat me when I pass by you on the streets.
Do not tell me racism does not exist in Brazil only because
You allow me to live where I want to live as long as I don’t
become your neighbor, of course!

Racism exists in Brazil, and its there in the worst way that a
Racism can exist. Brazilian racism is like cancer, nobody sees
It but it is there killing, excluding, segregating and mistreating
in the worst way it can abuse a human being. If the Brazilian
Racism was like the other countries racism where it is a
Declared racism, it would be easy to fight against it, but in
Brazil racism is cynical, perverse, demagogue, hiding, is
Camouflaged, so Camouflaged that most of Brazilians black
People do not perceive it, and the lack of culture, education
don’t allow them to see that they are discriminated against.
Please don’t say that there is racism in Brazil because it is a lie,
YES there is racism in Brazil and it is very evil, it hunts, it traps
And kills; besides be the cruelest form of racism.


                                      *

Nada mudou!


Meu Deus! Passado mais de um século da tão propalada abolição
Dos escravos e, aqui no Brasil, nada mudou. Vitimas do maior
Genocídio da historia da humanidade nós, os negros brasileiros,
Continuamos sendo rejeitados, sendo jogados nas sarjetas e
Lotando os presídios. Meu Deus! Depois de termos irrigado as
Terras deste imenso país com o nosso sangue, de termos nossos
Corpos atirados às suas valas como indigentes, para que os
Brancos vivessem em conforto, nos é negado escolas decentes
E nos é vedado o acesso ao conforto mínimo, necessário ao
Nosso dia a dia.

II

Meu Deus! Quanto de nós, os negros, teremos ainda que morrer
Para conquistarmos o que nos é negado por esta sociedade racista
Que controla o nosso Brasil? Será que nunca deixaremos de ser
Escravos? Que liberdade é esta que nos nega o direito de participar
Da vida do nosso país? Olho a minha volta e me revolto ao ver os
Meus irmão pequeninos jogados nas ruas sem nenhuma perspectiva
De dias melhores, sem a perspectiva de um futuro menos sofrido
Em seus horizonte. Meu Deus! Tenha misericórdia da minha gente
E coloque diante de nós um líder, um pensador que guiado pelo
Senhor seja capaz de fazer o meu povo acordar e lutar pelo o que
Nos pertence mas nos é negado.

III

Meu Deus! O nosso povo saiu da senzala mas não despertou, não
Acordou para o mundo fantástico que é nosso. A nossa gente
Senhor, ainda não se libertou das correntes que a prendia e,
Consequentemente, continua acorrentada ao passado achando
Normal morar em favelas e ser um eterno ocupante dos trabalhos
Braçais, subalternos. Meu Deus! Assim como guiaste o povo de
Israel através do deserto até a terra prometida, imploro para que
Sejas o nosso líder, e para que nos guie até ao nosso paraíso e lá,
Libere o nosso grito de liberdade que acreditamos ter ouvido no
Passado, mas que na realidade nunca aconteceu. Meu Deus!
Acorde o meu povo, mostre-lhe o mundo que o Senhor reservou
Para nós, porque parece-me que o meus irmãos não o conseguem
Ver. Meu Deus! Quantos de nós ainda teremos que morrer para
Fazermos valer os nossos direitos.

                                                *

Chora meu planeta - Cry my planet



Chora meu planeta! Chora a chuva ácida que te fazemos beber!
Derrama sobre a terra o veneno que atiramos ao ar, chora! Chora
Céu! Chora e faça rolar para os rios e lagoas a fumaça que te
Obrigamos a fumar. Chora planeta! Bafore sobre nós os poluentes
Que despejamos, espalhamos sob o teu corpo tentando escondê-los.
Chora! Chora a tua angústia de não ver um jeito de não nos matar
Como estamos te matando, chora! Chora a tristeza de não
Percebermos o mal que te causamos.

II

Chora! Chora meu planeta! Chora a tristeza de já não poder
Mostrar o teu lindo céu azul, chora! Chora a angústia, a tristeza
De sentir a tua brisa, já no amanhecer, cheirando a óleo, chora!
Chora porque não há outra forma pacífica de demonstrar a tua
Insatisfação com o desrespeito que sofres. Chora meu planeta!
Chora as tuas matas desmatadas, queimadas, chora os teus rios
Assoreados, os teus peixes envenenados, mortos, e os teus
Animais fugindo para lugar nenhum. Chora! Chora porque há
Muito os pássaros se calaram em teu seio, o uirapuru já não
Encontra mais o topo daquela árvore alta onde ele gostava de
Pousar para que toda a floreste pudesse ouvir o seu lindo cantar.

III

Chora meu planeta! Chora porque a tua chuva que antes trazia
Vida agora mata os peixes e adoece as outras criaturas que
Teimam em resistir a violência dos homens. Chora! Chora porque
Os teus rios assoreados já não seguram, não guiam as águas da
Chuvas, que sem ter por onde fluir, destroem tudo que encontra
Em seu caminho. Chora, chora meu planeta! Chora porque o
Teu fim esta próximo. Chora! Chora porque os homens, em
Suas necessidades desnecessárias, não se importam com o teu
Sofrimento, com o teu infortúnio, então chora meu planeta! Chore
Alto porque de repente Deus ouve o teu pranto e vem te socorrer.

                                    *

Cry my planet


Cry my planet! Cry the acid rain that we force you to drink!
Pour over the land the poison that we throw in the air, cry!
Cry heaven! Pour out your tear and make it to roll into the
Rivers and lakes the smoke that we oblige to smoke.
Cry my planet! Blow over us the pollutants which we throw,
Which we spread under your body trying to hide them.
Cry! Cry my planet your anguish for do not able to avoid
To kill us, as we are killing you. Cry! Cry the sadness of we
Do not realize the harm that we cause you.

II

Cry! Cry my planet! Cries the sadness of no longer be able to
Show your beautiful blue sky, cry! Cry the anguish, the
Sadness of to feel your breeze, in early morning, already
Smelling oil, cry! Cry because there is no other peaceful way
To demonstrate your dissatisfaction with the disrespect that
You suffer. Cry my planet!
Cry your bushes cleared, burned, cry thy silted rivers, your
Fishes killed by poison, dead, and all your animals trying to
Escape to nowhere. Cry! Cry because it is a long time since
The birds became silent in thy bosom, cry because the
Uirapuru no long find the treetop where he enjoyed to land
To sing his beautiful song.

III

Cry my planet! Cry because your rain, that uses to bring life in
The past now kills fish and cause sickness to other creatures
Which stubbornly resist men´s violence. Cry! Cry because
Your silted rivers no longer hold, no longer guide the rain´s
Waters which have nowhere to flow and then get mad and
Destroy everything in its path, on its way. Cry, cry my planet!
Cries because your end is near. Cries! Cries because men, in his
Unnecessary needs, do not care about your suffering, about
Your misfortune, then cry. Cry my planet! Cry high because,
Suddenly, God hears your cry and comes to rescue you.



                                         *

Saudade de (Beijing) Pequim


Aqui na distância, distante dos parques floridos e da brisa que perfuma
As manhãs de primavera da cidade de Beijing, tudo em mim é saudades.
Aqui onde não ouço o cantar dos pássaros que, com seus cantares,
Enchiam de beleza o Parque Ritan. O meu peito chora de saudades das
Manhãs coloridas, perfumadas e cheias de poesias, poesias que davam
Repouso a minha alma. Ah saudade que me maltrata, me machuca e faz
Rolar dos meus olhos lágrimas que se perdem aqui onde me encontro!
Lugar onde os meus olhos não podem ver a beleza do Parque Ritan que
Tanto aprendi a amar e que é parte do meu espírito, da minha vida.

II

Que saudade que sinto do meu caminhar nas trilhas do Chaoyang
Parque no entardecer de domingo! Agora tudo está tão distante
Não passa de uma miragem, um sonho, um delírio, um desejo
Quase impossível. Os meus olhos buscam, os meus pensamentos se
Aguçam e através destes viajo, vou abraçar a minha amada que ficou
Em Beijing. Quero oferta-la com a flor mais linda que encontrar
No mercado das flores (Laitai flower market). Em meus devaneios
Sinto o meu corpo abraçado, envolto no perfume exalado pelas flores
Que ornamentam o Beihai Parque e então ouço o cantar do vento
Que ecoa nas copas das árvores que dançam apaixonadamente. 

III

Sonho com o dia em que caminharei novamente nas lindas calçadas
Da avenida Jianguomenwai, com o meu caminhar displicente,
Despreocupado, admirando a beleza da gente de Beijing. Preciso,
Quero decifrar os mistério existente no olhar das mulheres chinesas.
Ah Saudade que não me abandona! Me toma em teus braços e me
Leve de volta para tudo que deixei na China. Aqui na distância choro
Escondido no meio da noite esta saudade que não me abandona, que
Não me permite esquecer o lindo e alegre sorriso da minha amada
Miao Miao. Quero, preciso voltar a Beijing, tenho que reencontrar
Tudo que amo e que com muita tristeza no coração, lá deixei.

                              *

O racismo no Brasil - Racism in Brazil


O racismo brasileiro é o que existe de mais odioso, sórdido,
Covarde e perverso. Ele é um câncer incrustado na alma da nossa
Sociedade, já é parte do seu corpo, impossível de ser extirpado.
O racismo brasileiro se apresenta de todas as formas, menos na
De racismo. Ele mata suas vítimas sem mostrar sua cara, sem
Se deixar perceber, mata de todas as forma, só não mata na
Forma de racismo. O racismo brasileiro quando sob a luz, sob
O risco de ser identificado ele desacredita os seus denunciantes
Utilizando os argumentos já conhecidos e sabidos por todos.

Nós, os negros brasileiros, somos como pássaro que nasce e
Cresce em gaiolas. Ganhamos uma liberdade que nunca nos
Permitiram usar. A elite dominante, no final da escravidão,
Destinou aos negros as favelas e nos prometeram que se ali
Permanecêssemos não seriamos importunados, não seriamos
Espancados e até poderíamos trabalhar em suas cozinhas, lavar
Os seus banheiros e pajear suas crianças. Amedrontados, ali
Ficamos e permanecemos até os dias de hoje. Anos passaram,
E desconhecendo a verdadeira liberdade, ainda vivemos o
Mesmo medo que atormentavam os nossos antepassados,
Consequentemente nunca reivindicamos a nossa cidadania,
Permanecemos satisfeitos e infelizes nas mesmas favelas onde
Os nossos avós nasceram, cresceram e morreram.


O racismo brasileiro é o que ha de mais perverso no mundo, ele
É um tipo de câncer que come a alma, destrói a capacidade de
Percepção e a noção do que somos. Nos chamando de pardos,
Mulatos, mestiços e tratando de forma diferenciada cada um deste
grupo o racismo brasileiro dividiu, e ainda divide, para melhor
Dominar, para se perpetuar. Já em minha infância eu dizia que:
Haveria de chagar o dia em que nós, os negros brasileiros,
Invejaríamos a sorte dos nossos irmãos sul africanos e este dia
Chegou, já virou passado e aqui na pátria amada, nada mudou.
Nos os negros brasileiros continuaremos morando nas favelas e
Limpando a cozinha dos brancos até que despertemos e unidos,
Os mulatos e pardos, lutemos pelo nossos direitos. 

Despertemos irmãos, acordemos, desçamos os morros, abandonemos
As favelas e lutemos pela nossa liberdade. Temos direitos que
Ninguém nos concederá a menos que lutemos, que reivindiquemos
O nosso espaço. Vamos! Invadamos as escolas e estudemos, não
Aceitemos ser pardos, mulatos e sejamos negros e como negros
Lutemos juntos, criemos uma sociedade e só desta forma não
Seremos açoitados por abandonarmos as favelas onde os brancos
Enterraram nossos antepassados. Irmãos! Só quando
Reconquistarmos o orgulho que a escravidão nos roubou,
Alcançaremos a verdadeira liberdade. É preciso que tenhamos a
Consciência de que; enquanto acharmos que ser pardos e mulatos
É melhor que ser negros, continuaremos escravos.

                            *


  
Racism in Brazil


Brazilian racism is what exist the most hateful, nasty,
Coward and perverse. It is a cancer embedded in the soul
Of our society, it is already part of your body, which can
Not be extirpated. Brazilian racism comes in all forms,
Except in the form of racism. The Brazilian racism kills
Its victims without showing its face, without to be
Perceived, it kills in all the way, not only  in the form
Of  racism. Brazilian racism when in the light, under the
Risk of being identified it discredits their whistleblowers
Using the familiar arguments known by all.

We, black Brazilians, are like bird that is born and grows
In cages. We won a freedom that we were never allowed
To live. The ruling elite at the end of slavery, allocated
The blacks in the slums and promised us that if we
Remained there would not be harassed, we would not be
Beaten up and we could work in their kitchens, wash their
Bathrooms and care for their children. Frightened, there
We were and remain to this day. Years has passed, and
Unknowing true freedom, we still live the fear that
Plagued our ancestors, therefore never claim our
Citizenship, we remain satisfied and unhappy in the same
Slums where our grandparents were born, grew and died.

The Brazilian racism is what is most evil in the world, it
Is a cancer that eats the soul, destroys the ability of
Perception and the notion of who we are. By calling us
Brown, mulattos, mestizos and treating each one of this
Groups differently the Brazilian racism divided and still
Divides, to better dominate, to perpetuate itself. Already
In my childhood I use to saying: - It would come the day
When we, the black Brazilians, will be envious of the fate
Of our fellow South Africans, this day has arrived and
Turned in the past and here in my beloved country,
Almost nothing has changed. We, black Brazilians ,
Continue living in the very same slums and cleaning the
White’s kitchen until we awaken and united, black and
Brown decides to fight for our rights.

Brothers wake up, wake up and lets go down the hills, lets
Abandoning the slums and fight for our freedom. We have
Rights that nobody will give us unless we fight, to reclaim
Our space. Come on! Let invade the school and study, lets
Not accept to be browns, blacks and mulattos and we, as
Black let us fight together, lets we create a society and
Only in this way we will not be beaten by abandoning the
Slums where whites people has buried our ancestors.
Brothers! Only when win back the pride that slavery has
Robbed us we will gain true freedom. We must have the
Aware that; - while we find that to be brown is better to be
Black slavery will continue.


                            *

Bêbado



Bêbado, tropeço em minha embriaguez e caio distante da realidade
Que me fustiga. Bêbado não ouço a minha consciência gritando ao
Meu ouvido, me cobrando, exigindo de mim o que não quero
Entregar. Bêbado não percebo você batendo em minha porta  para
Cobrar o que não te devo, o que nunca te prometi. Bêbado não
Percebo o vento me levando e o tempo me envelhecendo, gritando
Para eu sair daqui.

II

Bêbado não sinto a dor das pedras que me atiram, não ouço o
Rosnar dos cachorros querendo me morder e nem percebo as
Lágrimas que o sofrimento faz escorrer dos meus olhos. Bêbado
Não me lembro da última vez que fui amado, que fiz amor, que
Fui desprezado e que chorei por alguém. Bêbado tropeço na
Minha embriaguez e caio no mais profundo esquecimento e ali
Encontro a minha paz.

III

Bêbado atravesso a rua sem medo de ser atropelado pelo tempo
Que, veloz  não para diante de nada. Bêbado não tenho medo do
Vento que sopra forte e arrasta tudo para bem distante, para o
Esquecimento. Bêbado sou esquecido e o esquecimento que mora
Em mim não é lavado pela chuva que molha o meu corpo.
Bêbado a chuva me limpa sem no entanto limpar a minha alma.
Bêbado tropeço em minha embriaguez, caio e fico ali estendido no
Chão esquecido, não estou naquele corpo, fui embora, não sou eu.
Bêbado! Nunca caí.

                                                    *

Bebo


Bebo! bebo para esquecer o gosto amargo do esquecimento,
Bebo. Bebo o esquecimento que colocam em minha boca,
Bebo. Bebo o pensamento daqueles que pensam que vão me
Esquecer, bebo! E bebo suas frustrações ao perceberem que
Em seus esquecimentos, ainda se lembram de mim.

II

Bebo! Anoiteço embriagado e acordo bêbado. Bebo! Bebo
Durante a noite inteira o esquecimento daqueles que gostariam
De me esquecer e saio á rua junto com os primeiros raios do sol,
Para que todos vejam que bebi sem parar durante a noite. Saio
Para que vejam que bebi todo os esquecimentos que colocaram
Em meu copo. Bebi, me embriaguei, embriaguei o meu coração
Com a dor que o desprezo oferece àqueles que estão esquecidos.

III

Bebo! Bebo não com a intenção de ser percebido por aqueles
Que querem me esquecer. Bebo! Mas bebo somente para não
Desperdiçar, para não jogar fora o que me é oferecido. Bebo!
Bebo as lágrimas daqueles que não sabem, não querem conviver
Comigo, bebo as frustrações dos que não conseguem me ver
Vencedor, bebo a tristeza daqueles que gostariam de estar comigo
Mas não podem, e bebo o gosto amargo de não conseguir ser
Esquecido por aqueles que querem me esquecer.

                                                *

Meu pão



Me dá o pão que cai no chão sem passar pela minha boca!
Me dá o pão que caí, que foge de mim, foge da minha pobreza!
Me dá o pão que corre para distante, que se esconde, que zomba
Da minha fome sempre que dele me aproximo. Me dá o pão que
Seguras com descaso como é o caso de todos iguais
A ti que já têm suas fomes saciadas.

II

Dá-me o pão que para mim não passa de um sonho distante, um
Sonho que nunca se aproxima da mesa que não tenho. Me da o
Pão que não sei por onde anda, que nunca entra em minha casa
Mas que é o pão que tu, saciado da tua fome, o deita fora como
O teu resto de cada dia, rejeito que te sobra e que me falta. Me dá
O pão que vejo em tua vitrine enquanto procuro por pão. Me dá o
Pão nosso de cada dia.

III

A minha fome não é minha passageira, ela é a agonia que me faz
Pedir para que me dêem pão, para que me dêem compaixão, para que
Me estendam a mão. O pão que te peço não é para saciar a fome do
Meu corpo, da matéria eu. Te peço pão para alegrar, para alimentar
A crença de um espírito que insiste em acreditar que ainda existe o
Bem, que o belo ainda não foi devorado pelo feio, pelo fraco e pelo
Mal.

                                               *

Menino de rua - Street child

Chamam-no bandido, mas nunca lhe perguntam sobre sua infância, sua
Necessidade, seus sonhos. Acusam-no, o discriminam, desprezam-no
Sem, no entanto, se preocuparem com o quanto estes tratamentos o fere,
O faz sofrer. É assim que tratamos os nossos meninos de rua, meninos
Que deixamos crescerem nas ruas das nossas cidades alimentando-os
Com desprezo que os fazemos comer, engolir seco.

Nossos meninos, meninos das nossas ruas! Não nos preocupamos com
Suas necessidades de afeto, não pensamos na sede de amor de seus
Espíritos, só sabemos que são meninos de rua e achamos normal que
Eles vivam nas ruas. Não nos preocupamos com a nossa participação
Nas causas que os transformam no que chamamos „monstros“,
Criminosos, mas os queremos condenados, presos, encarcerados como
Se os prendendo estaríamos encontrando a solução para um problema
Que, teimosamente, reclama em nossas portas.

Meninos de ruas! Nossos meninos, nossos problemas, produto do
Nosso desprezo para com o próximo. Nossos vizinhos, irmãos que não
Vivem próximo sem, no entanto, estarem distantes. Meninos de rua,
Bandidos, nossos bandidos, criados por nós. Meninos de rua, nossos
Meninos, nossos pesadelos do dia a dia, inevitáveis quando
Poderiam nem existir se a corrupção que assola o nosso país não
Roubasse tanto e permitisse que cuidássemos melhor dos nossos
Meninos.

                                            * 


Street child


Call him criminal, but never nobody asked about his childhood,
His need, his dreams. Accuse him, discriminate him, despise him
Without, however, worry about how much these kind of
Treatments hurt him, how much this treatment makes him to
Suffer. This is how we treat our homeless kids, boys who we
Let them grow up in the streets of our cities feeding them with
Contempt which we make them to eat, swallow hard.

Our boys, our boys from ours streets! Kid which we don’t care
With their needs for affection, which we don’t think about
Thirst for love of their spirits, we just care that they are street
Children and we think it is normal they live on the streets.
We do not worry about our participation in cases that kids
Become what we call "monsters", criminals, but we want them
Convicted, arrested, imprisoned as by holding them in jail we
Would be finding a solution to a problem that stubbornly
Demands on our doors.

Children of the streets! Our boys, our problems, product of our
Contempt for others. Our neighbors, brothers who do not live
Next door without, however, are distant. Street children, bandit,
Our bandit, created by us. Street children, our boys, our
Everyday nightmares, inevitable when they could not exist if
The corruption that plagues our country does not steal so much
And allowed us to care best of our children.


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