Oprofeta

Oprofeta

domingo, 27 de novembro de 2011

Eu em Kieve - Ucrania - 2007 - It is me in kiev-Ukraine - 2007
























Não me decepcione - Enttäusch mich nicht


Não me deixe esperando por ti quando sabes que não virás.
Não me convide para conversar quando não tiveres a intenção de
Me ouvir. Não caminhes em meu caminho quando não quiseres a
Minha companhia. Não! Não chores uma lágrima que se recusa a
Rolar dos teus olhos, só para me fazer crer que sentes algo nobre
Por mim. Não! Não coloques em meus lábios beijos que não
Guardaste para mim, beijos que nunca sentiste vontade de me
Dar.

Não! Não segures em minhas mãos quando não quiseres me levar
Contigo. Não! Não cruzes o meu caminho quando não tens a
Intenção de conviver comigo. Não me chames, não me olhes, siga
A tua estrada sem me pedir para assistir a tua partida. Não! Não
Olhes para trás para não deixar em mim a falsa impressão de que
Sofres enquanto partes da minha vida. Não! Não faças nada, deixa
Tudo como está, prefiro acreditar que nunca pensastes em me amar.

Não me peças para enxugar as tuas lágrimas, não me chames
Para ver o teu sorriso e nunca me fales dos amores que vivestes.
Não! Não me chames, esqueça o meu nome, perca o meu
Caminho, mude o teu rumo para nunca me encontrar. Não!
Não me encontre, não me conheças, me esqueça, permita-me te
Esquecer. Não! Não enxugue as minhas lágrimas não beije a
Minha face com teus beijos, beijos que não são meus, não me
Console. 
                              *


Enttäusch mich nicht

Verlasse mich nicht an auf dich Warten, wenn du es weisst, dass du
Nicht kommst lade mich nicht ein zu reden, wenn du keinen Absicht
Hast mich zu hören. Laufe nicht neben mir, wenn du mein gemeinschaft
Nicht willst. Nein! Weine keine Träne, die von deinen Augen zu fallen
Weigert, nur um mich glauben zu machen, dass du etwas edel
Für mich fühlst. Nein! Setze nicht auf meinen Lippen, Küsse dass du
Nicht mir behaltet hast, Küsse du niemals den Willen hattest, mir
Zu geben.

Nein! Halte nicht meine Hände wenn du mich nicht mit dir nehmen
Willst. Nein! Kreuze nicht meinen Weg, wenn du keinen Absicht hast
Mit mir zu leben. Rufe mich nicht, gucke mich nicht, geh
Dein Weg ohne mich zu beten, deinen Abfahrt zu sehen. Nein!
Shaue nicht hinter, um mir nicht den falschen Eindruck zu lassen,
Dass du leidest, während von meinem Leben abfährst. Nein! Mache
Nichts, lass alles wie es ist, ich bevorzuge zu glauben, dass du nie
Dachtest, mich zu lieben.

Bete mich nicht deine Träne zu trocken, rufe mich nicht
Dein Lächeln zu sehen und nie erzähl mir, von den Lieben du hattest.
Nein! Rufe mich nicht, vergiss meinen Name, verliere mein
Weg, verändere dein Bahn, mich nie zu finden. Nein!
Finde mich nicht, kenne mich nicht, vergiss mich, lass mich dich
Vergessen. Nein! Trocke meine Träne nicht, küsse mein Gesicht nicht
Mit deinen Küssen. Küsse die sind nicht meine, tröste mich
Nicht.
                                                                            Translated by  João Navarro


                                                 *

Pensei - I thought


Penso! Penso em prosseguir, porem não consigo atravessar a
Rua que se deita diante dos meus olhos e retrocedo. Retrocedo!
Retroceder significa voltar ao passado de onde fugi, significa
Perder, voltar a escravidão da qual ainda não me libertei.
Retroceder é não me dar a chance de conhecer a liberdade, é não
Experimentar as coisas que me esperam do outro lado da rua que
Vejo diante de mim, é morrer antes de conhecer a vida mas, ainda
Assim, com medo do novo retrocedi.

Paro, olho a rua que passa, que corre diante dos meus olhos e te
Vejo sentada lá no outro lado me convidando para te conhecer,
Te seguir, para sorrir o teu sorriso e experimentar os teus beijos.
Paro e penso: para onde me levarão os teus abraços? Como será
Dormir em teu colo? Vou mais adiante e penso no que os teus
Lábios farão aos meus quando estes já viciados por teus lábios,
Os procurar. Paro, olho para a rua que passava diante dos meus
Olhos e te vejo passando com um sorriso debochado nos lábios.

Paro! Como um bêbado dou passos trôpegos e me deixo cair.
Caído ali no meio do asfalto, cheiro o pó do chão e desisto, decido
Não atravessar a rua na qual estou me perdendo. Perdido, penso
Sobre onde esta estrada pode me levar e descubro, ao te ver
Voltando, que não te conheço e que te esquecestes de mim. Paro!
Penso e retrocedo, acho que já não me interessa atravessar a rua
Para conhecer o novo que fica do outro lado da mesma, a
Escravidão acabou, e assim sendo, não tenho porque teme-la.
Penso! Retrocedo antes de começar a atravessar a rua que passa
Diante dos meus olhos e com um sorriso nos lábios penso:
Escapei.
                                *


I thought


I think! I think to continue, but I don’t get to cross the street
That lies in front of my eyes and retreat. I kick! To retreat
Means to me to return to the past from where I fled, to
Retreat means to lose, to get back to slavery from which I
Have not freed myself yet. To kick is like do not give me the
Chance to know freedom, it is like do not try things that wait
Me across the street that I see in front of me, to kick is to die
Before knowing the life but even knowing it all, with fear of
The new, I did kick.

I stop; I take a look on the street that pass, which runs in front
Of my eyes and I see you seated there on the other side inviting
Me to know you, to follow you, to smile your smile and to try
Your kisses again. I stop and think: where would your hugs
Take me? How would it be, to sleep in your lap? I go ahead
And think about what would your lips do to my lips when my
Lips already addicted to your lips, look for it. I stop, I take a
Look at the street that passed in front of my eyes and I see you
Passing by with a cheeky smile on your lips.

I stop! Like a drunk with stumble steps I let myself fall. Lying
On the asphalt, smelling the dust I give up, I decide do not
Cross the street on which I am missing me. Lost, I think, where
This road would lead me and I find out, when I see you coming
Back, that I don’t know you and you have already forget me.
I stop! I think and I kick, I think that it no longer interests me to
Cross the street to get to know the new that is on the other side
Of it, the slavery is over and, as such, I have not to fears it.
I think! I retreat before start to cross the street which runs in
Front of my eyes and, with a smile on my face, I think:
I escaped, finally I freed myself.


                                 *

A valsa do envelhecimento - The waltz of aging


O tempo pede a minha atenção mas, displicentemente, ignoro
O seu olhar, não noto a sua aflição. O tempo se perde no
Espaço que chamo de tempo, sem que eu perceba que quando
Ele se perde, me leva consigo. O tempo abraça o meu corpo,
Puxa a minha pele tornando-a flácida, fazendo-a enrugar-se.
O tempo agarra-se em meus cabelos e pinta de branco os fios
Que não consegue arrancar e apaga da minha memória as
Lembranças que eu queria de guardar comigo.

O tempo se enfurece com a minha indiferença e me empurra, grita
Em meu ouvido. O meu ouvido preguiçoso recusa-se a ouvir o
Tempo que irritado com a minha indiferença grita o meu nome,
Berra, me puxa pelo braço como a fúria do vento em meio a uma
Tempestade. Numa falsa calma o vento sopra gelado me causando
Arrepio enquanto, sem que eu perceba, ele empurra tudo para
O – „longe“ – e assim passamos você, eu e o tempo quando
Então a velhice, que morre cedo, chega.

O tempo impaciente com a minha displicência, me toma em seus
Braços e me leva para onde me recuso ir, me leva à uma festa,
Para a qual não quero ir. O vento sopra a flauta que o tempo tem
Em suas mãos e toca a valsa da despedida, a valsa do adeus que
Danço involuntariamente, danço a valsa do envelhecimento
Quando penso ser jovem, e o meu corpo ainda não percebeu que
O tempo passou e o envelheceu.

                               *


The waltz of aging

The time calls my attention but, carelessly, ignore his gaze,
I do not notice his affliction. The time get lost in a space that
I call time, without I notice that when time get lost he takes
Me with him. The time embraces my body, pull my skin
Making it flaccid, causing it to wrinkle. The time grabs in my
Hair and painting in white color the ones he does not get to
Take with him, the time deletes the memories that I wanted to
Save with me.

The time gets mad with my indifference and push me, he
Screams in my ear. My lazy ear refuses to hear the time that,
Angry with my indifference, screams my name, he screams,
Pulls me by the arm like the fury of the wind in the midst of
A tempest. In a false calm, the wind blows cold causing me
Shiver while, without I notice it, he pushes everything to the
- "away" - and so you pass, I pass, everything pass and the
Time as well, when then the old age, which dies early, arrives
To us all.

The time impatient with my carelessness, takes me in his arms
And brings me to where I refuse to go, take me to a party to
Which I do not want to go. The wind blows the flute that time
Brings in his hands and touches the farewell waltz, the waltz
Of  goodbye which, involuntarily, I dance, I dance the waltz of
Aging when I think I am still young and my body did not
Realize that time has passed and made it grew old.


                                *

Nossa estória - Our story


Revejo, leio o livro da nossa estória tentando encontrar o
Parágrafo onde te perdi e sem encontra-lo me perco. Te beijo, te
Abraço, te deito em meus braços e em minha imaginação faço
Amor contigo. Viro e reviro as páginas do livro que conta a nossa
Estória e não entendo como chegamos a este final que tenho
Diante dos meus olhos. Releio mais uma vez esta página e não
Compreendo como permiti que a nossa estória, que foi tão linda,
Acabasse como acabou.

Relendo o livro da nossa estória, percebo que te deixei quando
Ainda tinha o teu amor. Percebo que permiti os fatos nos separar
Quando estavas no auge da tua paixão por mim, quando mais
Querias ser amada e ter o teu amor reconhecido por mim.
Revendo a nossa estória descubro o quanto fui estúpido te fazendo
Partir, o quanto fui tolo ao sacrificar o nosso amor em nome do
Amor e o quanto demorei a perceber que a minha vida não teria
Sentido sem o teu amor.

Releio a nossa estória e volto no tempo com a esperança de te
Encontrar ali. Volto no tempo porque quero te dizer que ainda
Te amo, preciso encontrar uma forma de te convencer que vale
A pena me perdoar, que mereço o teu perdão. Relendo a nossa
Estória tenho a ilusão de ainda reconquistarei o teu amor, tenho
A ilusão de podermos recomeçar a nossa estória de onde ela
Parou. Estou de volta ao nosso passado com a esperança de te
Reencontrar ainda apaixonada por mim.

                              *


Our story


I look back, I read the book of our story, trying to find the
paragraph where I lost you and not finding it I get lost.
I kiss you, I hug you; I take you in my arms and, in my
Imagination, I make love with you. I turn and roll the
Book’s pages that tells our story and I do not understand
How we got to this end that I have in front of my eyes.
I re-read once again this page and I don’t understand how I
Let our story, which was so beautiful, to end up as it ended.

Rereading the book of our story, I realize that I left you
When I still had your love. I realize that I allowed facts
Bring us apart when you were at the height of your passion
For me, when you most wanted to be loved and have your
Feeling  recognized by me. Reviewing our story I discover
How stupid I've been, doing you leave me, how foolish
I was to sacrifice our love in the name of the love, and how
I failed to notice that my life would have no means without
Your love.

I re-read our story and go back in time with the hope to find
You there. I go back in time because I want to tell you that I
Still love you; that I need to find a way to convince you that
It's worth to forgive me that I deserve your forgiveness.
Rereading our story I have the illusion that I will regain your
Love, I have the illusion that we can resume our story from
Where it stopped. I'm back to our past with the hope of to
Reencounter you still in love with me.


                               *


Viagens loucas - Insane travels


Os meus pensamentos voam, vão para longe, distante, onde
Outros pensamentos que pensei se perderam. Meus pensamentos
Correm, vão em busca de pensamentos outrora pensados e
Perdidos no esquecimentos. Os pensamentos me levam, me
Obrigam a segui-los em suas viagens loucas sem se importarem
Com os meus protestos pedindo-os para que me deixem em paz.

Angustiado de tanto pensar choro. Choro mas as minhas lágrimas
Não comovem os pensamentos que invadem a minha mente
Roubando-lhe a paz. Os pensamentos me forçam a pensar em
Tudo que eu gostaria de não pensar, eles ressuscitam lembrança
Que já enterrei no esquecimento, revivem sofrimentos que vivi
E tormentos que experimentei e joguei fora. São os meus
Pensamentos abusando, me torturando, não me permitido
Esquecer o que pensei já haver esquecido.

O meu sorriso se esconde assustado ao perceber os pensamentos
Se aproximando de mim. Os pensamentos me abraçam, e neste
Abraço, me levam a lugares onde fui e voltei prometendo nunca
Mais voltar, nunca mais viver tal experiência. Os meus
Pensamentos adoram me acordar no meio da noite para
Conversar, e conversando me levam em suas viagens
Infindáveis cujo destino é sempre o sofrimento que mora no meu
Passado, o qual tanto quero esquecer. 

                           *


Insane travels

My thoughts fly, it go, it goes to far away where other
Thoughts that I thought got lost. My thoughts run, it
Goes in search of thoughts that was thought in the past
And got lost in oblivion. The thoughts leads me, It
Obliged me to follow them on their insane journeys
Without bother with my protests asking them to leave
Me in peace.

Anguished of so many thoughts I cry. I cry but my
Tears do not move the thoughts that invade my mind
Stealing Its peace. The thoughts force me to think
About things that I would love to forget, they revived
Memories that I have already buried in oblivion, it
Revive suffering that I experienced, torment that I
Lived and threw out. It is my thoughts abusing,
Torturing me, not allowing me to forget what I
Thought I had already forgotten.

My smile, scared, hides itself when perceive the
Thoughts approaching to me. Thoughts embrace me
And in this embraces, take me to places where I was
And returned vowing never to come back there,
Vowing never live this experience again. My thoughts
Love wake me up at night to talk and talking it takes
Me in its endless travels whose fate is always
Suffering which lives in my past, the past that I want
To forget.

                            *

O vento - The wind


O vento empurra violentamente o tempo contra a minha pessoa
E, este por sua vez, enfurecido, me agride. O vento resseca a
Minha pele fazendo-a enrugar-se, puxa os meus cabelos que ao
Se recusarem a saltar-se da minha pele são pintados de branco
Por ele. O vento sopra violentamente o meu rosto, irrita os meus
Olhos fazendo-os lacrimejar, impedindo-os de vê-lo levando o
Que eu tenho para viver. Desesperado corro atrás do vento para
Impedi-lo de roubar o meu tempo, o pouco de tempo que me
Resta para viver.

O vento sopra, empurra o tempo para longe de mim. Leva-o
Para um distante onde ele parece ter pressa de me levar e se
Aborrece se me recuso a segui-lo. O vento sopra e bater com
Força a janela que seguro, acreditando ser esta a janela da minha
Vida, pensando ser a janela por onde vejo a vida acontecendo
Enquanto a vida me escapa sem que eu consiga vive-la.
Nas noites de inverno o vento sopra frio em meu telhado e canta
Suas canções lamuriosas e convida-me para dança-las. Ele canta,
Me arrasta em sua dançar e quando as minhas pernas já francas,
Não conseguem mais me sustentar, ele me atira ao chão.

O vento sopra furiosamente e faz correr o tempo, que sem ter em
Que segurar-se, agarra-se em mim e me arrasta junto com o que
Encontra em seu caminho, inclusive a minha vida. Arrastado pelo
Vento, o tempo agarra-se em minha juventude e leva-a consigo
Para distante, onde me envelhece. O vento sopra, o tempo passa e
Leva o que sou, ele leva a minha alegria, o meu sorriso e deixa
Comigo apenas as recordações e as rugas. O tempo é o vento que
Leva o que tenho e deixa apenas a saudade. 

                           *

The wind


The wind pushes the time violently against me and the
Time, in its turn, enraged, attacks me. The wind dries
My skin up causing it to wrinkle, pull out my hair and
If it refuse to come out of my skin, the time paint it
Into white color. The wind blows violently my face  
Irritating my eyes, making it involuntarily to tear and  
Preventing me of to see the he taking everything that I
Have to live. Desperately I run after the wind prevent
It from stealing my time, the little time that I have left
To live.

The wind blows, pushes time away from me. The wind
Takes the time to a distance where, it seems to be in a
Hurry to take me with him and get mad if I refuse to
Follow him. The wind blows and hit the window that I
Hold believing it to be the window of my life, believing
It is the window through which I see life going on as
Life escapes me without I live it. On winter nights, the
Wind blows cold on my roof and sings his whining
Songs and invites me to dance it. The wind sings, he
Drags me into his dance and when my legs, already
Weak, can no longer sustain me, the wind throw me on
The ground.

The wind blows furiously makes the time runs. The time
Without have anything to hold on it, grabs me and drags
Me along with whatever he finds on his path, including
My life. Dragged by the wind, the time clings in my
Youth and takes it along to faraway, where I will get older.
The wind blows the time, and the time passes and take
What I am, it takes my joy, my smile and leaves me only
Memories and wrinkles. Time is the wind that takes what
I have, leaving only the nostalgia with me.

                            *

O meu sorriso - My smile


O meu sorriso sem graça visita a minha face com um riso
Matreiro, pensando que em minha agonia não o perceberei.
O sorriso vagueia em meu rosto, displicente passeia pelos meus
Lábios achando poder enganar-me, querendo fazer-me parecer
Feliz vivendo sem ti. O meu sorriso pensa que consegue esconder
As lágrimas que a tua ausência faz brotar do meu coração.

O meu sorriso sem graça, expressa uma graça que ha muito me
Abandonou, que já esqueceu o que é engraçado. Quando passo
Nos caminhos que costumávamos caminhar juntos, uma tristeza
Profunda me envolve e então o meu sorriso sem graça, se
Esconde e deixa rolar livremente as lágrimas que a saudade que
Sinto de ti me faz chorar.

O meu sorriso, sujeito displicente e pouco decente, finge
Desconhecer a dor de um amor perdido. Ainda ontem, passeando
Em meus pensamentos o meu sorriso diligente, mesmo sabendo
Da minha boca seca, amargar, com uma vontade louca de beber
Em tua boca, insistia em permanecer sorrindo. O meu sorriso
Passeia em meus lábios pensando conseguir fazer parecer que
Existe felicidade em meu coração. 

                                   *


My smile


My grim smile, visits my face with a dodger laugh, thinking
That in my agony, I do not notice it. The smile wonders on
My face, casually stroll through my lips thinking to deceive
Me, wanting to make me look happy, living without you.
My smile thinks that he can hide the tears that your absence
Brings forth from my heart.

My sheepish grin express happiness that long has abandoned
Me, which has already forgotten what funny means. When I
Go to places where we used to visit together, a deep sadness
Surrounds me and then my grim smile hide itself and allow
The tears, which the longing that I feel about you makes me
Cry, roll freely.

My smile, casual and somewhat decent guy, pretends not to
Know the pain of a lost love. Yesterday, walking in my
Mind he diligent, even though of my dry mouth, bitter, with
An  urge to drink from your mouth, insisted on stay smiling.
My smile walks in my lips thinking he can make it appear
That there is happiness in my heart.


                          *

A madrugada - Dawn


A madrugada chega de mansinho, ela vem para lembrar-me
Que a noite já acabou. O sono me abandonou no meio da noite e,
Sem conseguir dormir, me perdi em pensamentos infindáveis e
Não percebi o dia amanhecendo. A madrugada, sarcástica, me
Olha de soslaio e com um sorriso maroto nos lábios questiona;
Se tenho a intenção de convida-la a deitar-se comigo. Sem graça,
Procuro sorrir do que penso ser uma brincadeira da senhora
Madrugada.

A madrugada, ainda sonolenta, me olha de soslaio e curiosa,
Vasculha a minha mente tentando descobri onde perdi o sono, 
Se o perdi no nada. Tão logo a madrugada parte o sol se levanta
E a manhã chega. O amanhecer espanta a insônia que,
Cabisbaixa, vai-se mas não sem antes me avisar que à noite
Voltará para me fazer companhia.

Fim de tarde e sol despede-se de mim, me desejando uma boa
Noite. A noite está fresca, o vento sopra suave como uma
Promessa de tranqüilidade, a lua brilha no céu, me convida para
Um passeio, o que aceito e vou. Somos namorados, estamos
Namorando, eu e a lua. Neste momento não penso em outra coisa
Se não em ser feliz. Hora de voltar para casa onde a solidão me
Espera, me desperta e me desespera, afugenta meu sono que só
Volta com o chegar da madrugada.

                           *


Dawn


Dawn comes softly; she comes to remind me that night is over.
In the middle of the night the sleep abandon me and, unable
To sleep again, I got lost in endless thought and I did not
Realize the day dawning. The dawn, sarcastic, looks at me
With a mischievous smile on her lips and questions if I intend
To invite her to lie with me. Embarrassed I try to smile of
What I think to be a joke of the lady dawn.

The dawn, still sleepy, look at me and curious searches my
Mind trying to figure out where I lost my sleep, and if I lost it
In the nothing. As soon as the dawn leaves the sun rises and the
Morning comes. The early morning scared the insomnia that
Leaves me, but not before telling me that at night she will be
Back to keep me company.

Late afternoon the sun say goodbye to me, wishing me a good
Night. The night is cool; the wind blows soft as a promise of
Peace, the moon shines in the sky inviting me to a walk, which
I accept and I go. We are lovers; we are dating, me and the
Moon. At this moment I don’t think about anything if not to be
Happy. It is time to go home where my loneliness is waiting
Me, it awakes me and despair me, it just blows away my sleep
That gets back only when it is dawning.


                            *

Os teus olhos - Your eye


A chuva cai dos teus olhos, lava o teu rosto e desbota o teu
Sorriso. As lágrimas que sem graça escapa dos teus olhos
Confundem-se com a chuva que molha, que encharca o caminho
Que caminho e me confunde. As tuas lágrimas me molham,
Molham o meu sorriso que assustado com a tua tristeza, foge
Dos meus lábios, se esconde dos teus olhos e se guarda onde não
O consigo encontrar. A chuva cai dos teus olhos e inunda todos
Os sentimentos, sufoca-os e salta os gritos que a tristeza gosta de
Gritar.

A chuva que cai dos teus olhos e leva com ela tudo que poderia
Ser alegria, o que poderia me fazer feliz. O vento sopra e carrega
Para distante o teu olhar. Sopra, seca os teus lábios, resseca a
Esperança que existia em mim de me ver feliz ao teu lado.
A chuva que cai dos teus olhos e mata de tristeza as flores que
Enfeitam o teu caminho e espanta o sorriso que mora em teus
Lábios.

O teu sorriso, molhado pela chuva que os teu olhos deixam
Chover, perde o colorido, perde o belo. O meu sorriso adoecido
Pela tristeza do teu sorriso, não consegue sorrir, não sabe ser
Feliz. A chuva que cai dos teus olhos lava, leva a alegria que
Existe em mim, a espanta para um lugar onde não consigo
Chegar. O meu sorriso, dependente do teu sorriso, chora a
Tristeza que tomou conta dos teu lindos olhos.

                            *


Your eye

The rain falls from your eyes, wash your face and fades your
Smile. The, embarrassed, tears that escapes from your eyes
Confused with the rain that water, soaks the path that I walk
And confuses me. Your tears wets me, water my smile that
Scared with your grief, flees from my lips, hide from your
Eyes and keep itself where I can not find it. The rain falls
From your eyes and floods all the feelings, suffocates it and
Screams as sadness like to scream.

The rain falls from your eyes takes along with it all that could
Be joy, it takes everything that could make me happy.
The wind blows and carries to far away your look. The wind
Blows and dries your lips, it dry out the hope that I have to be
Happy by your side. The rain falls from your eyes and kill by
Sadness the flowers that adorn your paths and scared the smile
That lives in your lips.

Your smile wet by the rain that fall from your eyes, lose color,
It loses the beautiful. My smile, ill by the sadness of your
Smile, no long smile, it do not know how to be happy. The
Rain that falls from your eyes wash, it takes away the joy
That I have in me and scare it to a place where I can not go.
My smile, dependent upon your smile, cry the sadness that
Took over your beautiful eyes.

                             *

Vida - Life


Vida! Trilhos por onde corro e me perco. Vida! Caminhos que
Me levam a todos os cantos sem que eu chegue a lugar algum.
Vida! Uma ambição que não percebe que as conquistas são
Vazias e que terminam no nada, sem nada que eu possa levar
Quando partir daqui. Vida, uma necessidade de ter mais, de ser
Mais sem ter o que fazer com o – „mais“ – que eu conquistar.
Vida! Trilhos por onde corre o que penso ser a vida mas que no
Final de tudo percebo que não vivi, que apenas me deixei levar
Por forças que o tempo roubou de mim.

Vida! Uma estrada cheia de encantamentos que me enfeitiçam
Mas que também me fazem sofrer. Vida! Uma vila onde as coisa
Acontecem, onde como, bebo, canto e choro. Vida! Um jardim
Onde na calada da noite o vento chora os seus prantos, e suas
Lágrimas em forma de brisa perfuma as flores para criar em
Mim a falsa sensação de que sou feliz. Vida! Uma estrada, um
Trilho que sendo uma paralela não se encontram, ainda que
Encontrem a morte. Vida! Uma estrada, um trilho, um caminho,
Um beco, um fim.

Vida! Uma trilha onde a vida ziguezagueia querendo esconder-se
Do tempo impiedoso que a castiga. Vida, descarrilamento, o
Trilho, a estrada, o caminho, tudo sendo entortado, maltratado pelo
Tempo que embriagado, agarra-se em tudo que encontra em seu
Caminho. Vida! Uma pinguela que se recusa a seguir sozinha o
Seu destino e me obriga a segui-la até o seu final. Vida! Uma
Cascalheira, a poeira que soprada pelo vento cai em meus olhos
E me cega impedindo-me de ver que o meu tempo chegou,
Já passou e que estou partindo, indo e te deixando para trás. Vida!
Outro chegando para tomar o meu lugar, fingindo não saber que
O meu dia chegou. Vida, adeus! 

                         *


Life

Life! Life is a rail where I run and lose myself. Life! Paths
That leads me to everywhere without I get at nowhere.
Life! An ambition that does not realize that all the
Achievements are empty and ending in nothing, without
Anything that I can take with me when I leave this life.
Life! A need for more, a need for to be more, without have
Nothing to do with the - "more" - I accomplished. Life!
Trails through which flows what I think to be the life but
In the end of all I realize that I did not live it, I realize that
I just let me to be taken by the forces that time stole from
Me.

Life! A road full of bewitching charms me but it also makes
Me to suffer. Life! A village where thing happen, a village
Where I eat, I drink, where sing and I cry. Life! A garden
Where, in the silence of the night, the wind cries my tears,
And its tears, like breeze, perfume the flowers to create in
Me the false sense that I am happy. Life! A road, a track
Those beings a parallel never meet although find death. Life!
A road, a trail, a path, one dead, an end.

Life! A trail where life zigzags trying to hide from the time
That merciless punish it. Life! Derailment, the rail, the road,
The path all being bent, abused by time that drunk, grabs
Everything that it meets in its way. Life! A footbridge that
Refuses to follow alone its fate and forces me to follow it till
Its end. Life! Gravel, the dust blown by the wind drops in
My eyes and blind me preventing me from to see that my
Time has come, has passed and I'm going, I am going
Leaving you behind. Life! Another coming to take my place,
Pretending not to know that my day has arrived. Life! Good
Bye!

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