Oprofeta

Oprofeta

sexta-feira, 30 de março de 2012

Lágrimas geladas



O meu grito ecoa no mais profundo do teu silêncio e
Cai. Ele cai na imensidão do vazio da tua ausência e
Perde-se, me faz sentir frio. O meu corpo treme,
O agasalho que cai sobre a minha pela é como nada,
É como o que sentes por mim, é tão frio quanto a tua
Indiferença. O meu grito explode no meio da noite
Que adormecida não o ouve, não lhe presta atenção
E assim o meu grito dorme ao relento.

O vazio da tua ausência abraça o meu corpo que
Estremece e chora de frio. O frio é tão intenso que
Tudo em mim se transforma em lamento e chora,
Chora tão baixo que nem mesmo eu o consigo ouvir
E, então, o desespero toma conta do meu peito.
O desespero espreme o meu coração e este sangra,
Sangra e grita, ele grita tão alto que se faz ouvir no
Teu íntimo, no íntimo da tua indiferença por mim.

O grito desesperado do meu coração perturba a tua
Indiferença por mim e esta se faz irada. A sua ira,
Enfurecida, pisoteia todos os sentimentos e esmaga
A minha esperança de ser ouvido por ti. Outra vez
O silêncio me abraça e sufoca o grito que saía da
Minha garganta com a intenção de ir ao teu encontro
E me calo. Calado, na mais profunda tristeza, assisto
As lágrimas escorrerem geladas dos meus olhos.


                           *


Icy tears

 

My cry echoes in the depths of your silence and fall it
Falls in the vastness of the void of your absence and
Get lost, it makes me feel cold. My body trembles, the
Cover that falls over my skin is like nothing, it's like
What you feel for me, it is as cold as your indifference.
My scream explodes in the middle of the night that
Asleep and do not hear it, do not pay attention on it
And so, my cry sleeps outdoors, it sleep in the
Weather.

The void of your absence embraces my body that
Trembles and weeps of cold. The cold is so intense
That everything in me turns into mourning and cry, it
Cries so low that, even me cannot hear it and then,
Desperation takes over of my chest. The despair
Squeezes my heart and makes it to bleeds, it bleeds
And screams, it screams so loud that makes itself
Heard in your inside, its makes itself heard in the
Depths of your indifference for me.

The desperate cry of my heart disturbs your
Indifference for me, and its becomes angry. Its anger,
Enraged, tramples over all the good fillings and it
Crushes my hope of to be heard by you. Again the
Silence hugs me and stifles the cry that was coming
Out from my throat with the intention of to come to
You and I shut up. Draft, in deepest sorrow, I watch
The cold tears flow from my eyes.


                                       *

terça-feira, 27 de março de 2012

Sol do meio dia


O sol do meio dia esconde a minha sombra,
Assombra-me. Procuro-me escondido nas
Sobras do sol, mas não me encontro,
Escondi-me, sumi. O escuro da noite engoliu
A minha sombra e, caminhando pelas alamedas
Ouço os meus passos, mas não me consigo
Ver, não vejo. O sol do meio dia roubou a
Minha sombra e na sombra não consigo me
Encontrar.

A lua brilhou no céu e despertou os mistérios
Da noite. A coruja veio ver quem passava,
Os répteis cantarolavam, enquanto o medo
Ficava na espreita. O sereno serenou! O sereno
Caiu sobre a relva e desabrochou seus perfumes
Que encheu o ar, e ali permaneceu até que a lua
Fosse dormir. A lua foi dormir e levou consigo
Os seus mistérios, os mistérios da noite que
Nada revelou.

O vento frio da madrugada soprou o sol, e o
Empurrou da cama, o fez levantar-se. Desconfiado
O sol surgiu por entre as nuvens e sua luz revelou
Todas as sombras que ele esconde ao meio dia,
E minha sombra apareceu. Apareci! Apareci e vi a
Minha sombra me acompanhando, seguindo os meus
passos enquanto eu caminhava pelas alamedas
da vida. Guardar-me-ei do sol do meio dia para
Que ele não esconda jamais a minha sombra.

                                *

A ira



Uma palavra deslocada,
Um pensamento desfeito a decepção.
A mão estendida, suspensa no ar um
Sorriso desfeito, sem jeito, um olhar,
Morta uma paixão.

Uma troca de olhar,
A ira estampada no rosto, o desgosto.
A vontade de lutar gritando, mas o bom senso
Manda calar. Sai, vai dar uma volta e daqui
A pouco já esqueceu, morreu.

Choque de palavras, estranhezas no modo
De pensar, conclusão errada, um conflito.
Um conflito, um grito o suor a escorrer do
Rosto, que desgosto, o ódio quase venceu
O amor, mas ele sobreviveu.

Uma palavra deslocada, mal colocada.
Uma troca de olhar, a ira.
O gosto amargo na boca engolindo a
Decepção. A ofensa correndo e grita;
- Vou arrebentar! Um grito mudo silencia,
Cala o que havia no ar.

                      *

sexta-feira, 16 de março de 2012

A vida.



A vida é uma mão que acaricia e que bate, é uma mão que
Ampara, que ajuda a levantar, mas que também empurra ,
Que derruba. A vida faz sorrir, também faz chorar. A vida
É mãe, mas pode ser madrasta. A vida mostra o caminho
A ser seguido, mas não retira as pedras do mesmo.
A vida passa empurrada pelo vento que sopra frio, gelado,
Mas às vezes sopra quente, escaldante maltratando o que
Encontra em seu caminho. A vida é sofrimento, é amor,
Sorriso e lágrimas é vida.

A vida não passa a mão na cabeça dos seus filhos, ela não faz
Graça. A vida não dá nada de graça e o que ela oferece hoje
Ela cobra amanhã, a vida é vida, é dura, maltrata. A vida não
É lógica, ela mata o jovem enquanto deixa o velho enfermo
Sofrendo sobre um leito viver. A vida é a incompreensão, ela
É a razão que ninguém nunca compreendeu. O fato é que a
Vida bate, ela maltrata seus filhos. A vida é mãe, é madrasta
Ela é severa, é vida. A vida é uma velha de muitos conselhos
E de poucas palavras, quase impaciente. A vida não ensina,
Ela apenas mostra o caminho a ser seguido e vem logo atrás
Com o chicote na mão para chicotear os que não conseguem
Caminhar.

A vida não se aflige com o choro dos seus filhos no meio da
Noite, ela não se comove com seus sofrimentos e nem
Levanta-se no meio da madrugada para agasalhá-los. A vida
Oferece de tudo, mas não dá nada de graça. A vida cobra até
A luz que brilha no céu, ela cobra. A vida não assistir os seus
Filhos que não conseguem andar, elas os empurra e, se
Empurrados eles chorarem, ela os atropela, ela passa sobre eles
Deixando-os para trás. A vida não espera ninguém, ela segue o
Seu curso sem se importar com quem ficar pelo caminho.
A vida ama os fortes e despreza os fracos, ela é vida, este é o
Seu jeito de ser. 

                                             *

quarta-feira, 14 de março de 2012

Monte Gólgota



Lá no monte Gólgota onde o Amor foi crucificado para livrar-me
Dos meu pecados, onde uma história que jamais terá fim começou
A ser contada, reside a minha incompreensão. Não consigo aceitar
Seres, ditos humanos, racionais, crucificarem o Amor, ainda que
Fosse este o Seu destino, com tanto requinte de crueldade.
Não entendo o porquê da necessidade de tanta humilhação ao
Executarem alguém cuja única culpa foi amar incondicionalmente
Ao próximo. Lá no topo do monte Gólgota onde o sol revoltado
Com tamanho desamor recusou-se a iluminar as atrocidades
Cometidas pelos homens e se apagou, onde a terra agoniada
Tremeu regurgitando, recusando-se a cobrir com seu corpo a
Crueldade que os homens insistiam em ali esconder.

Pensando no Local dos Crânios, onde o Amor foi humilhado,
Crucificado e morto, choro. Choro e peço perdão a Deus pela
Forma como Seu filho foi tratado pela humanidade. O monte
Gólgota onde homens que diziam amar a Deus permitiram que o
Amor fosse crucificado, lembra-me que aqueles mesmos homens
Que cometeram tal barbáries estão nos dias de hoje dentro das
Igrejas pregando a palavra de Deus e usando o Seu nome em
Beneficio próprio. Esses homens são todos falsos pastores, e a
Rapidez com que eles enriquecem me obriga a correr para o topo
Do Gólgota onde o Amor foi crucificado e ali me abrigar ao pé
Da Cruz.

A velha Cruz fincada no topo do monte Gólgota onde o Amor
Permanece crucificado me recorda que o Amor ressuscitado
Voltará e será novamente humilhado, crucificado e morto pelos
Mesmos homens que hora pregam em Seu nome. São homens que
Conhecendo a fraqueza dos homens usam o nome do Amor para
Atrai-los e os atrai com falsas promessas, com promessas de 
Enriquecimento rápido e falsos milagres. O Amor falou que antes
Do Seu retorno, falsos profetas apareceriam  usando o nome do Pai,
Performando curas e expulsando espíritos malignos e aí estamos
Assistindo os falso pastores atuando. Pensando na Cruz esquecida
No Local dos Crânios onde o Amor morreu pelos meus pecados o
Meu coração chora a dureza dos homens que se afastaram dos
Princípios que Jesus Cristo nos ensinou.

                                             *


 

domingo, 11 de março de 2012

Às mulheres - Women



Mulher! Amiga! Mulher mãe, mulher esposa, mulher namorada.
Mulher de todo os dias, flor delicada, abraço forte, abraço meigo,
Uma dor, uma lágrima, um sorriso, o suporte preciso, uma
Palavra. Mulher! Poesia que quando recitada com carinho parece
Uma doce canção. Mulher! Forte como aço, sensível como a brisa
Do amanhecer e sábia no trato com os seus. Mulher! Todos os dias
É seu dia porque todo os dias você  é amor, carinho, alegria,
Tristeza, sorriso, lágrimas e o mundo depende de ti para acontecer,
Para seguir adiante.

Mulher! Num abraço uma canção, um carinho e uma afago, um
Leve toque de mão e o amor transborda do teu coração. Mulher
Amiga, esposas, mãe, amante. Mulher irmã, companheira, querida
Uma vida e uma flor. Mulher! Perfume que embrenha no cerne do
Coração e que num abraço, num carinho transforma um simples
Afago em uma linda declaração de amor. Mulher! Dádiva do
Criador, uma vida, uma rosa,  todas as flores, um jardim. Mulher
Esteio, o cerne,  rocha, sustentáculo da família, fonte de amor.
Mulher! Adjetivo maior, flor! A mais linda dentre as flores, a
Melhor companhia, companheira para a vida, vida que gera vidas
Quando tratada com amor.

Mulher! Uma história sem principio, sem meio e sem fim. Mulher!
Jardim onde brota os mais lindos sonhos, sonhos que quando
Transformados em realidade revelam-se o mais puro amor com a
Mais variada forma de amar. Mulher! Uma história, uma declaração
De amor, sonhos a serem vividos, mulher! Mulher, Elsa, Suely,
Mônica, Miraci, Sandra,  Judite, Maria, Eva, Reisa, Dora, não
Importa o nome que tenham, são mulheres, são amigas, namoradas,
Esposas, irmãs e mãe a mais sagrada das criaturas, mulher. Mulher!
Um sonho gostoso de sonhar, história linda de viver, um caso que
Não cansa contar, mulher! Te amo! ...


                                      *

Women


Women! Friend! Woman, mother, wife, woman, girlfriend.
Women of every day, delicate flower, a strong and at the
Same time a sweet hug, a pain, a tear, a smile, the certain
Support, a word. Women! Poetry that when recited with
Love seems sweet as a song. Women! Strong as steel,
Sensitive as the dawn’s breeze and wise in dealing with their
Own. Women! Every day is your day, because every day you
Are love, you are affection, joy, sadness, smiles, tears and the
World depends on you to happen, to move on.

Women! In a hug an song, a caress and a cuddle, in a hand
Touch her heart overflow in love. Woman, girlfriend, wife,
Mother, lover. Woman sister, companion, a life, a flower.
Women! Scent that penetrates the heart of the heart and in a
Hug, in a caress transforms a simple smile in a beautiful love
Declaration. Women! Gift of the Creator, a life, a rose,
Flowers, a garden. Woman! Mainstay, the core, the rock,
Foundation of the family, source of love. Women! Adjective,
Flower! The most beautiful among the flowers, best
Company, partner for life, life generating life when treated
With love.

Women! A story with no beginning, no middle and no end.
Women! Garden where grows the most beautiful dreams,
Dreams that when transformed into a reality show the purest
Love with more varied form of love. Women! A story, a
Statement of love and dreams to be lived, woman! Wife as
Elsa, Suely, Monica, Miraci, Sandra, Judith, Mary, Eve,
Reisa, Dora, do not matter whatever their name are, they are
Women, they are friends, girlfriends, wives, sisters and mother
The most sacred of all creatures, women. Women! A dream
Lovely to be dreamed, a wonderful story to be lived, a sweet
Case to be told, woman! I love you! ...


                                       *

sexta-feira, 9 de março de 2012

O tombo



Ando sobre trilhos e o tombo me observa ansioso
Para me ver cair. O vento sopra forte, empurra o meu
Corpo que balança e o tombo, sem perda de tempo
Estende seus braços para me agarrar, mas não caio.
Um passo segue o outro num caminhar maroto, 
Trôpego, enquanto o tombo observando tudo olha e
Torce pela minha queda, ele quer me ver cair.

Os trilhos se contorcem preso ao chão enquanto a chuva
Fria molha o seu corpo e o faz tremer. Ele treme, torna-se
Escorregadio mas o meu caminhar vadio não para,
Continuar a caminhá-lo. O tombo me aguarda, ele sabe
Que um dia cairei, mas enquanto não caio, continuo a
Minha caminhada. Caminho sobre trilhos que zombam de
Mim, que me empurram para os braços do tombo que
Aguarda ansioso para me agarrar.

Confiante corro sobre os trilhos que, preso ao chão, se
Contorcem sob o forte calor do sol. O tombo ávido por
Me ver cair, joga sobre os trilhos as mazelas que encontra
Em quase tudo nesta vida, mas os meus pés ágeis saltam
E fogem do calor dos trilhos. O tombo acompanha com
Olhar matreiro as minhas peripécias e grita: - Se caíres
Não te darei a mão! Ele não perde a esperança de assistir
A minha queda e ali, deitado ao longo dos trilhos ele
Espera pela minha grande queda. 


                                *

Atirada ao chão


Atirada ao chão ali ela ficou inerte. Inerte como um
Pensamento interrompido por um susto, como um
Tombo após um empurrão ela ficou. Chamada a
Levantar-se ela recusou, forçada reagiu com
Veemência e permaneceu estendida, jogada no chão
Como que concordando com a vontade de quem a
Empurrou.

Esparramada no solo, muda, ela olhava as suas
Feridas sem chorar. Ela não reclamava dos olhares
Que a olhava com semblante crítico e nem
Lamentava os olhares que a olhava com indiferença.
Era sua sina, ser jogada ao chão, ver mãos serem-lhe
Estendidas e outras tantas a lhe darem mais um
Empurrão, ela estava ali estendida no chão onde fora
Atirada, ainda que quase pisoteada não perdeu a
Razão.

Atirada ao chão ela olhava os rostos que a fitavam,
Buscava perceber nestes, lábios que dela sorriam e
Lábios que lhe sorriam. Lágrimas não escorreram dos
Seus olhos, ela não ouviu nenhum pedido de perdão e
Não perdoou. Pensou que tudo não passou de um
Susto, foi um empurrão, um tombo e esparramou-se
No chão. Ela não chorou, não ouviu nenhum pedido
De desculpas fui tudo sua culpa já que ninguém se
Manifestou.


                             *

quinta-feira, 8 de março de 2012

Um bate papo



Um bate papo descontraído, o café esfriando na xícara,
E as horas passando preguiçosamente. Um sorriso, o
Disfarce de querer ser só seu amigo e uma desculpa
Para tocar a tua mão. Um amigo chega e diz olá, lá na
Calçado um conhecido passa com sorriso largo no
Rosto diz um rápido oi, e segue o teu caminho.

As horas passam, o café frio na xícara já foi renovado
E eu longe de ter coragem de te falar o motivo maior
De eu ter te convidado para o cafezinho. De repente me
Dou conta que estou torcendo para o tempo passar
Devagar. Preciso de mais tempo para te falar dos meus
Sentimentos por ti,  mas o tempo não quer me esperar.

Busco um novo assunto, procuro a coragem para te falar
De amor, mas a coragem corre, foge e me deixa sozinho
Cara a cara contigo. Procuro falar de temas complexos,  
Quero parecer inteligente e impressionar e, enquanto isto
O tempo voa e desesperado procuro um jeito de prender
A tua atenção, de te segurar um pouco mais comigo, mas
O  “ já esta ficando tarde”  chegou e tens que ir.

O bate papo, apesar de continuar descontraído, estava frio.
 O tempo passou e já não há jeito de eu te manter perto
De mim. O sono te incomoda e a perspectiva de ter que
Trabalhar amanhã cedo te pede para ir para casa e,
Delicadamente me diz que precisa ir. Desconcertado, sem
Jeito não te falo o que tanto quero te falar, e assim te
Assisto escapando por entre os meus desejosos. Calado
Como um bobo, sem saber como expressar os meus
Sentimentos te pergunto, timidamente, se nos veremos
Outra vez.

                                      *

quarta-feira, 7 de março de 2012

Venci a vida



A vida me bateu, a vida me atirou ao chão e pisoteou tudo o que
Ela pensou ser eu. A vida quis me derrotar, mas como uma vara
Verde soprada pela fúria da tempestade, dobrei, verguei-me até
O chão, engoli poeira, lágrimas e todos os meus prantos para
Suportar a dor que a vida me impôs.  Vergado, já estendido no
Chão, vi a vida pisotear-me sem piedade, ouvi a vida urrando ao
Meus ouvidos como o vento urra nos telhados nas noites de inverno,
Mas superando os destemperos da vida sobrevivi.

A vida ofereceu-me todas opções de descaminhos e perdição.
Ela me apresentou os vícios, me deu o endereço da contramão,
Me ensinou o caminho mais fácil, disse-me que o mais rápido
Era a solução e que trabalhando honestamente eu jamais juntaria
O meu primeiro milhão. Eu não aceitava a vida que a vida me
Oferecia, e a vida que eu queria não interessava a vida e então
A vida me bateu. Ela me maltratou, me forçou a dormir ao relento,
De fome ela quase me matou, roubou-me a alegria e no frio do
Desprezo ela me jogou. Chorei, verti lágrimas amargas de tristeza,
Verguei sob o peso das mãos da vida até lamber o chão. Engoli
Poeira, bebi as minhas lágrimas, mas sobrevivi.

A vida é perversa, ela não da nada de graça e nem faz graças.
A vida é tão falsa quanto a mulher adultera, madrasta desalmada,
Inimiga de primeira hora. A vida oferece todos os tipos de pecados
Já ciente de que amanhã virá cobrar, a vida cobra tudo e cobra sem
Piedade. A vida bate, ela bate até lhe restituirmos o que ela nos deu,
Ela bate em quem recusa as suas ofertas, e bate muito mais em
Que aceita o que ela oferece e sem ter como pagar-lhe depois.
A vida me bateu, a vida despejou toda a sua ira sobre o meu corpo
E, pisoteado pela vida comi poeira, bebi as minhas lágrimas para
Não morrer de sede, mas resisti as sua ofertas e a venci.


                                       *

Parque Olho d´água



Parque Olho d´água! Em tuas trilhas cruzo com incontáveis
Rostos e infinitos semblantes. São faces, rostos e
Pensamentos, pessoas, sorrisos e tristezas discutindo-se em
Teus caminhos. Parque Olho d´água! Em tuas manhãs
Caminho abraçado ao teu silêncio e bailo ao ritmo do canto
Dos teus pássaros que alegram o teu amanhecer. Passo! Sigo
Correndo atrás dos muitos devaneios que só devaneio
Enquanto caminho por entre as tuas árvores.

Parque Olho d´água! A brisa da madrugada, após banhar-se
Em tuas fontes, sopra por entre as tuas entranhas e me
Banha com o teu perfume. Por entre as tuas folhagens o sol,
Indiscreto, observa a minha caminhada, e me acaricia com
Os primeiros raios de luz, e eu sigo! Correndo, sonhando,
Devaneando os devaneios que só encontro em teus caminho e,
De repente, um passante que passa correndo por mim sem
Falar comigo me inquieta, mas, logo a seguir, vislumbro os
Seus problemas desistindo de alcançá-lo, é a tua mágica
Parque Olho d´água, que nos livra do stress do dia a dia.

Parque Olho d´água! O teu entardecer é como uma sinfonia, é
Uma história de amor. Nesse momento o céu colore-se, faz-se
Lindo e te abraça com uma infinidade de cores enquanto os
Pássaros cantam para ti as mais lindas das canções. Os pássaros
Cantam por entre as tuas folhagens e emprestam sua beleza e
Alegria aos passantes que nesse momento desfrutam do prazer
De caminhar por suas trilhas. Parque Olho d´água! Dentre os
Passantes que te visitam, estou eu que corro atrás de cada
Sonho que, brincando de esconde esconde comigo,
Escondem-se atrás de tuas arvores e de lá me chamam para que
Eu vá sonhá-los. Lindo parque Olho d´água! Para sempre em
Mim irás morar.


                                    *


quinta-feira, 1 de março de 2012

Tempo



 Tempo! Invadiste a minha privacidade, alteraste a minha
Idade, me envelheceste. Envelheceste-me da mesma
Forma que envelheces tudo que tocas. Tempo! Corrompeste
Os meus sentimentos, trouxeste-me o esquecimento e eu
Esqueci. Esqueci os amores que amei, as lágrimas que
Chorei e os sofrimentos que vivi. Errei! Errei outra vez
Quando te via passando por mim como um alucinado e não
Te segui.

Tempo! Em tua loucura trouxeste-me as rugas, deixaste-me
Com as dúvidas da capacidade de decidi. Tempo! Passas
Tão rápido por tudo, que não consegues amar ninguém.
Não sabes amar! As marcas dos teus passos ficaram em
Meu rosto em forma de sulcos, queimaram a minha pele e
Esta, ressecada murchou,  os meus cabelos de tão grisalhos
Caíram e perderam-se como tudo se perde em ti. Tempo!
Quanto tempo achas que ainda permanecerei aqui?
Tempo! Por que que de tempo em tempo me fustigas
Querendo levar-me daqui?

Tempo! Arrombastes a porta da minha consciência, me
Encheste de arrependimentos, arrependimentos  que nunca
Me abandonaram. Tempo! Agora, em frente à porta da
Velhice, olho para trás e só consigo vislumbrar o tempo
Que perdi, o tempo que assisti passar sem nada fazer. Tempo!
Agora, velho vivo a solidão, a saudades dos amigos que
Levaste de mim e a falta de vigor para acompanhar a tua
Correria. Tempo! O que fizeste com a minha vida que já não
Tem ânimo para viver?


                                    *