Oprofeta

Oprofeta

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O crucifixo



Estou prostrado diante de
Uma cruz que se recusa a
Crucificar-me. Não entendo!
Quero retomar os meus
Pecados, pagar pelo meu
Perdão mas a cruz me diz
"Não", já fui perdoado.
Entendimentos! Que
Entendimento seria sábio o
Bastante para fazer-me
Compreender o que diz o
Silêncio que envolve a cruz?
A cruz olha-me com uma
Piedade que inquieta o meu
Espírito pecador e faz doer
A minha consciência, uma
Consciência que há muito
Esqueci. Estou diante de
Uma cruz que se dá, que se
Recusa a permitir que eu a
Tome em meus ombros e
Mantem-se calada diante
Dos absurdos que povoam a
Minha mente. Estou diante
De uma verdade que me
Trata por filho amado, e
Que me inocenta dos meus
Pecados, diante de uma
Verdade que me ama e que
Sofre para que eu seja feliz.

   
                  *


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Coisas da vida



Tropeço nos restos que
As coisas da vida
Derrama em meu
Caminho e caio. No chão,
Alheio ao vento que há
Muito deixou de soprar,
Não percebo a vida que,
Desprovida de
Sentimentos, foge de mim.
A vida, como vida, não é
Mãe. Triste, olho para o
Chão quando este enche
Os meus olhos de poeira.
Cego, os meus olhos
Ardem e não veem o
Meu corpo sendo
Coberto pela terra que
O abraçou para o sono
Eterno. Não! Não há
Choro, não há tristeza,
Esta, assustada, fugiu.
Ela foi para longe,
Escondeu-se com medo
De encontrar-se com os
Lamentos, que enfim,
Não vieram. Não viram
As coisas da vida me atirar 
Ao chão e cobrir o meu
Corpo com seu corpo e
Me esquecer.

                 *

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Orarias - You would say a pray



Se conseguisses ouvir a voz do
Silêncio quando estás no meio
Da multidão e, se pudesses ver
Tudo que se esconde sob a luz
Do sol tu orarias, orarias e o
Faria com o mais profundo do
Teu coração.

Se pudesses ver os braços que
Te abraçam quando pensas
Estar sozinhos. Se conseguisses
Ver as mãos que te guiam
Quando tens o teu coração
Dominado pelo ódio tu oraria,
Orarias com o mais profundo
Do teu espírito.

Se pudesses ver quem caminha
Ao teu lado quando caminhas
Na trilha da ambição, do
Egoísmo, da vaidade e do
Negativismo tu orarias.
Se soubesses dos braços que
Repousam sobre os teus
Ombros quando a inveja, a
Intriga e a mentira ocupam a
Tua mente tu orarias, tu
Orarias com a pureza mais
Límpida que há.

Se conhecesses os sorrisos
Que sorria junto contigo
Quando sorrias dos infortúnios
Dos desafortunados tu orarias.
Se pudesses ver tudo que a
Luz do sol e os mistérios da
Noite escondem tu orarias,
Orarias as mais lindas preces.

                  *



You would say a pray


If you could hear the voice of the
Silence when you're in the middle
The crowd, and if you could see
Everything that is hidden under
The sun´s light you would say a
Pray, and you would do it with
The deepest heart.

If you could see the arms that
Embrace you, when you think
You are alone. If you could see
The hands that guide you when
You have your heart dominated
By hatred you would say a pray,
You would say a pray with a
The deepest of your spirit.

If you could see who walks by
Your side when you walk on
The trail of ambition, selfishness,
Vanity and negativism you would
Say a pray. If you knew the arms
Which rest on your shoulders
When envy, intrigue and lies
Occupy your mind you would
Say a pray, you would say a pray
With the most clear purity.

If you knew the smiles that smile
Along with you when you smile of
The misfortunes of the 
Unfortunate ones, you would
Say a pray. If you could see
Everything that the sunshine and
The mysteries of night hides, you
Would say a pray, you would say
The most pure pray.

                  *
 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Bebendo



Não bebo pelo simples prazer de beber.
Bebo a saudade quando esta me aperta,
Bebo o sorriso quando este pensa em
Abandonar-me e bebo o soluço quando
Ele tenta fugir de mim.
Não bebo pela necessidade de satisfazer
O meu vício.  Bebo buscando
Compreender as explicações que nunca
Me explicam nada, que não me
Convencem. Bebo, e bêbado assimilo
Com mais facilidade as falsidades nos
Olhos daqueles que dizem me amar e
Bebo o amor, ah o amor que há muito
Me deixou, mas ainda hoje me tortura
Tanto! Bebo a paixão! Bebo a paixão,
Fogo que transformou em cinzas a
Porta do meu coração e a seguir me
Abandonou. Bebo! Bebo e, de gole em
Gole, engulo o que sou, me aceito.
Bêbado e me compreendo, desfaço o
Mal entendido que nunca me permitiu
Me aceitar e então bebo.
Não bebo pelo simples prazer de ficar
Bêbado. Bebo e bêbado compreendo
Melhor as estórias que o silêncio da
Noite me conta. Bebo para não ter que
Beber as lágrimas que caem dos meus
Olhos quando estou sóbrio. Bebo para
Me esconder da tristeza que canta em
Meu coração no meio da madrugada.

                   *