Oprofeta

Oprofeta

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Circunstâncias

Circunstâncias,
Tudo é circunstancial.
O tempo,
A distância,
A coragem,
O medo,
A perda, tudo, tudo mais.
Circunstancias,
Tudo é circunstancial.
O beijo,
O abraço,
A paixão,
O amor,
O adeus e tudo mais.
Circunstancias,
Tudo é circunstancial.
A distância,
O frio,
A tristeza,
A saudade,
As lágrimas e tudo mais.
Circunstancias,
Tudo é circunstancial.
Circunstancia,
Mulher possessiva,
Ciumenta, agressiva,
Raivosa,
Vingativa e tudo mais.
Circunstancias,
Tudo é circunstancial.
O vento no rosto,
A lágrima chorando,
O sorriso morto,
O viver, o sol,
O tropeço, o chão,
Circunstancias,
Tudo é circunstancial.

             @


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Agonia

Está lá,
Nada o nega,
Nem pode negar.
Acontece,
Brilha,
Escurece,
Bronzeia como a pele ao sol,
Nua como a vida,
Mulher parida,
A música dança,
O silencio cala.
Na antessala,
O calar espera.
Impaciente a paciência ouve
O cair da chuva que não para.
Sem vez,
A situação descabela-se,
Desespera-se com a sordidez,
Os descalabros que a historia conta.
Feche a porta,
Não deixe mais nada entrar,
O ambiente é pesado,
A angústia tomou o lugar.
Está lá,
Nada o nega,
Nem dá para negar.
Nas ruas os gritos se fazem ouvir,
Ouvidos moucos fecham as portas.
Não bata, não bata,
Corra!
A vida manda que corra,
A sabedoria não pede para esperar,
Nada muda,
Nada mudará,
É a vontade de quem manda,
É o não ter nada a declarar.
Corra!
Não espere,
Não faça nada,
Nada vai adiantar,
Já passa da meia noite,
Um novo caso vai começar.


                 @

Nunca passou


Que coisa!
As coisas acontecem,
Passam quase sem querer.
As lembranças que acreditava mortas,
Estão vivas,
Vivem escondidas,
Se recusam morrer.

Que dizer do passado, que não passou?
Um tempo que não ficou para trás.
Saudade, sorrisos e lágrimas.
Um ontem que fica,
Que se recusa a transformar-se
Em recordação.

A noite dorme,
A saudade chora,
O abraço abraça,
O beijo beija,
Recordações, o ontem vivo.
É o presente, nunca partiu.

Sinto o abraço que há muito me abraçou,
O beijo que me beijou,
Canto as músicas que dancei,
Danço as músicas que cantei,
O ontem acontece agora,
Não passou, nunca passou.

Sendo o hoje,
O ontem sobrevive.
Casos e causos,
As músicas,
Os beijos,
Os abraços, tudo, tudo.

         @



Omissão

É um caso,
História que não convém,
Fala de muitas vidas,
É a vida de alguém.

A testa franze,
Os dentes cerram,
O sorriso apagado,
Passou, deixou, existiu.

Não adianta.
A vida segue adiante,
Independente das lágrimas e dos sorrisos.
Coisas da vida.

Um fato,
História que alguém contou.
Se era mentira virou verdade,
Para quem acreditou.

Morreu com o tempo,
O tempo enterrou,
Virou ontem,
Para o hoje nada sobrou.

             @


sábado, 9 de abril de 2016

Já faz tempo


Nossa!
Quanto tempo não nos falamos.
O meu coração não te esquece,
Não vive um só dia sem pensar em ti.
Tenho saudades do teu sorriso,
Saudades do brilho dos teus olhos.
Saudades de tudo que concerne a ti.

Onde estás,
Por onde andas?
Que fazes?
Fale com alguém sobre teu dia,
Para que alguém possa me contar.
Sinto. Preciso muito saber de ti.

Ainda sem saber qual o pecado cometi,
Peço o teu perdão.
Vai, me perdoa!
O tempo não nos espera,
Já perdemos muito do que tínhamos para viver juntos.
Te amo, te guardo no mais profundo do meu coração.

Nossa,
Adoraria ter a chance de te abraçar de novo!
Sair, conversar contigo, sorrir, ver o teu sorriso.
Tento adivinhar o que estás fazendo agora mas,
Há tanto não nos falamos,  que
Nem em devaneios consigo te alcançar.

Só me dê um oi,
Mande uma mensagem,
Fale alguma coisa, qualquer coisa.
Não vivo um minuto da minha vida sem pensar em ti.
Te amor, te amo tanto que nenhuma palavra
É forte o bastante para expressar o amor que tenho por ti.

                          @


Tuas verdades


Em outros braços,
Buscas as verdades que não te conto.
Verdades que desmentem as minhas.
As verdades que dão vida as tuas ilusões,
Mentiras, verdades, são verdades,
Jamais mentiras, ilusões.

Demoras tanto.
Te espero, quero olhar os teus em olhos
E ver as verdades que escondes de mim.
Espero o teu beijo frio,
Os teus abraços que não me abraçam,
As tuas verdades que não me agasalham,
As verdades que mentem para ti.

Outra noite, no meio da madrugada,
A tua verdade me acordou,
Despertou-me para ouvir suas mentiras.
Mentiras que dizem serem verdades,
As minhas verdades, mentiras.
Verdades, mentiras, verdade, dúvidas.

Em outros braços,
Falando verdades, disseste me amar.
Soou como mentira, mas é verdade.
Me amas, sinto isto em teu beijo frio.
Sinto em tuas verdades mentirosas
Que as minhas verdades também
Mentem para mim.


                      @

terça-feira, 5 de abril de 2016

O chicote


Sou o chicote que bate,
Açoito o ar, corto corpo.
Canto antes de dilacerar a carne,
Medo,  prazer horrendo,
Causar a dor.
Dançar gemidos,
Gozar sofrimentos,
Deixar ferir.

Para que o bálsamo,
Se gosto de ferir?
Chora! O choro me agrada.
Sou o chicote que bate,
Sou a razão, a dor.
Faço doer às lágrimas,
A dor da prazer.

Nego o sorriso,
As lágrimas é o capítulo final.
Termina em lágrimas,
A vida termina em lágrimas.
A verdade é a chicotada que mais dói.
Sou o chicote,
Sou a verdade que fere.
A verdade.

Corto a vaidades,
Ouço o grito, o gemido.
A dor sangra, chora,
Soluça e cala.
É a verdade crua e nua.
O susto que espanta, cala,
Deixa estático. É a verdade,
É assim no último momento,
Sou o chicote.
A chicotada que dói.


                   @

Apolítico


São todos democráticos,
Defendem a liberdade de expressão.
Tanto a direita quanto a esquerda
Me protegem,
Mas me tomam o pouco que não me deram,
Se o que eu falo os desagradar.

Aborrecido ouço suas verdades.
Cismado seguro a minha verdade
Para que esta, irritada, com as verdades deles
Não queira digladiar.
Não sou louco,
Sei dos poderes que a lhes outorguei.

Ambos, a direita e a esquerda,
Tem seus guardiões.
São eleitores que, diferentes de mim,
Mantêm sua fé nos políticos.
Sou descrente,
Tenho raiva do voto que votei,
O meu eleito mente tanto,
Que me envergonho do voto lhe dei.

O meu eleito não me elegeu,
Descaradamente tira tudo que é meu,
Levou o meu voto, me esqueceu.
Não tenho saúde,
Os meus vivem sem educação,
A corrupção come os meus ganhos,
Vivo amargurado,
Vivo esta horrível situação.


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Ocaso

A minha carne tem fome,
Come o meu corpo, me consome,
Pedaços, tiras, nacos.
A cruz me é pesada,
Rezo o terço, a fé desvanece.
Qualquer coisa assim,
Lágrimas nos olhos,
Seguidas de sorrisos sem razão.
Um jeito sem graça, trapaça,
La fora alguém chama o meu nome,
Não respondo.
Não tenho medo de morrer,
Mas não sigo enterros.
Deixa chamar, que me chame,
Mas não vou.
Já não sei o que é hora,
O tempo não me importa,
Acho que já vivi demais.
Um descuido e a minha carne me morde,
Sem querer um gemido me escapa.
Eu ouvi, eu ouvi!
Alguém chamou o meu nome,
Melhor não responder,
Não, não vou responder.
Nem sei se é a minha vez de ir!
Vá quem tem pressa!
Vá quem o desassossego não deixa sossegar.
Ouvi o meu nome, mas não vou,
Não foi assim que nasci,
E não será assim que partirei.
Não tenho medo da morte,
Mas nem por isto tenho que juntar-me a ela.
De repente mais uma mordida.
Doeu, doe muito,
Choro, rezo mais um terço,
Mas desta feita a carne não tira o seus dentes
Da minha carne.
Resigno, me calo.
Não temo a morte, daí não ter razão
Para suplicar-lhe a vida.


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