Oprofeta

Oprofeta

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Certezas

Certezas!
Quão insanas são as certezas.
Duvide da certeza,
Pressione-a com veemência,  
E ela se entrega.

Não tenho certeza de nada.
Se me vês chorando,
Duvide da certeza de que sofro.
Certamente, com certeza,
Não reconheço o meu sofrer.

A certeza acusa.
A sua veemência cala,
Mas só cala os tolos
Que não tem certeza de nada.
Tolo não sou.

Não dou a certeza,
Para não me comprometer.
No âmago do falatório,
Tudo parece certo.
A incerteza espreita.

A certeza envaidece.
Vista-se da razão e lá está a arrogância.
Então ouve-se a incerteza
E a arrogância esvai-se.
Eita dúvida! A certeza treme.

Certezas!
Não me apoio na certeza,
Frágil como é,
Ela vacila diante das incertezas.
Melhor espiar.

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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

As evidências

Observando as evidências,
Temores, angustias e lágrimas,
Deparei-me com uma única verdade.
O nascimento é o primeiro passo
Ao encontro da morte.

Dia após dia o corpo envelhece,
As dores ficam mais doloridas,
O frio é mais frio,
A tristeza mais triste e
A ansiedade menos paciente.

Não temo as despedidas,
Tão certo quanto à morte é o adeus.
O envelhecimento não espera e,
As certezas titubeiam quando confrontadas
Com as incertezas.

Arguindo com o tempo
Ganhei os meus cabelos brancos.
Enrugado, esperando pelo amanhã,
Dei-me conta de que um pouco de mim
Morreu ontem e está enterrado hoje.

A morte é a parteira da vida,
É ela que nos toma em seus braços,
Quando derramamos nossa primeira lágrima.
Agora é só questão de tempo,
Todos morreremos.

Observando as evidencia
Atentei que arguir com o tempo
Não é inteligente.
A evolução requer sacrifício e,
Sem morrer não há vida eterna.



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