Oprofeta

Oprofeta

sábado, 22 de abril de 2017

Me rejeitas

Sou vida, um milagre
Escuto os teus prantos no meio da madrugada
E com o coração repleto de ternura venho ao
Teu lado sentar-me. Te consolo, te conforto e
Ainda assim não me olhas, não me percebes,
Não reconheces o amor que tenho por ti. 

Por que não chamas por mim? Por que nunca
Visitas a minha casa, a nossa casa? Sinto a
Angústia do teu espírito, o desespero de tua
Alma e a carência de amor do teu coração mas
Insistes em não me chamar, insistes em não falar
Comigo e sofres caminhando sozinho.

Ouço os teus soluços no meio da madrugada e
Venho te confortar mas não me percebes, não
Percebes o amor que tenho por ti e angustiado,
Assisto o teu desespero sem nada poder fazer
Por ti. Me esquecestes, não me reconheces e
Rejeita o amor que te oferto.

                          *


Te dou o sol



Sou a presença de Deus em sua vida.

Te dou o sol e não vês o milagre diante dos teus
Olhos, mando-te a chuva e não percebes mais
Este lindo evento acontecendo diante de ti, te
Ofereço o amor e tu  me ignoras. Que mais posso
Fazer para que percebas eu fazendo os milagres
Acontecerem em tua vida?

Tens fome mas não sabes de que, sofres sem saber
O porquê e a tua indiferença por mim te torna
Indiferente ao amor. Tens um carro novo mas este
Novo não te serve, a tua casa é boa mas este “bom”
Não é bom o suficiente para ti, queres mais, sempre
Precisas de mais e então me buscas, me buscas e me
Cansas com a tua insistência que nunca insiste pelo
Meu amor.

Te dou noites de luar com o céu repleto de estrelas
Mas o céu não te interessa, o teu espírito esqueceu
O céu, ele não vê beleza nas estrelas e mal enxerga
O que está diante de teus olhos, ele não vê beleza
Nem alegria no belo, ele só vê o material.


                                  *

Quando oras

Só eu sou Deus!
Para quem ajoelhas quando oras, se quando oras
Não buscas o meu amor? Oras mas em tuas
Orações pedes apenas por teus desejos frugais,
Pedes por tua falsa e insaciável necessidades
Materiais, pedes apenas para satisfazer a si.

Será que não tens irmãos? Será que o teu espírito
Não tem fome, não tem necessidade do meu amor?
Por que que em tuas orações não pedes pelo teu
Vizinho que tem frio, pelo teu irmão faminto ou
Pela amiga que enfrenta sozinha as agruras da vida?
Para quem os teus joelhos dobram, se quando estes
Dobram não pensas em outra pessoa se não em si?
Quero ouvir as tuas preces, mas insistes em não
Orar para mim.

Para quem ajoelhas quando oras? Quero te ouvir
Mas não falas comigo quando faz tuas preces.
As tuas orações insistem em orar no singular e
Sempre na primeira pessoa ignorando que não és o
Meu filho único. 


                                   @

As tuas preces

Onde está o teu coração?


As tuas preces se perdem no vazio que existe  entre
O teu coração e eu. O vazio que existe entre nós
Agiganta-se quando logo após tuas preces não
Reconheces o teu irmão, quando finges de surdo
Diante dos lamentos dos menos afortunados.

As tuas preces ferem os meus ouvidos porque não
Oras com sinceridade e quando conjugas os verbos
O faz sempre na primeira pessoa do singular. As tuas
Orações começam no “eu” , permanecem no “eu” e
Terminam no - “para mim” - . Não suporto ouvir as
Tuas orações e, por mais que eu queira, me é difícil
Conceder-te o meu perdão.

As tuas orações angustiam o meu coração, são
Torturas, algo terrível de ouvir. Não sei por que gritas
Tanto quando oras, por ventura pensas que eu não
Seria capaz de ouvir-te se orasses em silêncio?
É triste ver-te adentrando em minha casa com o
Coração repleto de desejos diferentes do que tenho
Para te oferecer.
                    
*

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Inconsequente



Não é justo que o injusto seja tão prevalente,
E que o inconsequente requeira consequência.
Clemencia para que?
As lágrimas, ainda que as feridas não cicatrizem,
Secam logo após serem choradas.
Quem se importa com o que passou?
O que assusta é o futuro,
O escuro da noite,
O susto, o medo.
Não é justo ser empurrado.
Por quê?
O trôpego não se sustenta,
As palavras e os palavrões não dizem o que ha de ser dito.
E o silêncio assustador que cala os lábios!
Pior é o beijo fingido que fere enquanto acaricia,
E o abraço?
O abraço mata quando cheio de ódio.
Por tudo não é justo que o injusto seja tão prevalente.
É indecente crer que a verdade só pertence a verdade,
Tantas vezes vi a mentira ter razão.
Pobre da razão que é louca e que em sua loucura,
Ela crê ser juiz e julga.
Não é justo, não é Justo, não é justo.
Por que o poder não está nos braços dos oprimidos?
Tudo é muito injusto,
A justiça julga de acordo com a vontade dos fortes,
E os fortes não se importam com o choro dos injustiçados.
Não empurrem, não empurrem, não empurrem!
Saia do caminho que o desatino vai passar,
Que passe logo,
O pobre já esta cansando de chorar.
Não é justo que o injusto seja prevalente,
É inconsequente tanto poder aos poderosos,
As lágrimas, ainda que as feridas não cicatrizem,
Secam logo após serem choradas.
Então não chore,
Engula o teu trago amargo e cale,
Se o teu destino é ser fraco,
Ainda que morra lutando, morrerás fraco.
A vida é desenhada assim,
Injusta, inconsequente e requerente de consequências.


                     @

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Vivo a sua ausência


De repente tudo é solidão

De repente estou só.
Faz frio,
Experimento um sorriso que não sorri,
Verto lágrimas,
Sinto muitas saudades.

Você partiu,
Tudo se deu sem que eu percebesse.
O seu adeus me encontrou despreparado,
Nunca me imaginei te perdendo,
Como entender que seria assim¿

De repente, a saudade.
Cadê você?
O vazio da sua ausência trucida meu peito,
Que jeito?
Sem você, tudo em mim dói.

Sou só saudade.
O teu perfume esvaneceu.
A angústia ocupa o seu lugar em nossa cama.
Te chamo e só o silêncio me responde,
O seu nome é tudo que sei chamar.

De repente o sol apagou,
A lua deixou de brilhar no céu,
A felicidade me abandonou, faz frio.
A vida deixou de ter cor,
Vivo a sua ausência.

            @


terça-feira, 11 de abril de 2017

Deixa pra lá.


Diga tudo!
Diga do tudo, um pouco.
Diga do pouco o bastante.
Diga para não esquecer.

As coisas ditas,
Como são ditas,
Parecem comigo,
Mas na real é você.

E as feridas!
Todas abertas com palavras,
Palavras que são como chicotes,
Chicote que gosta de bater.

Esqueça as lágrimas!
As lágrimas não curam,
São fracas e amargas,
Difíceis de beber.

Esqueça!
Esqueça os beijos não beijados,
Os abraços não abraçados,
E os amores não amados.

             @