Oprofeta

Oprofeta

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Óbvio


 E quando óbvio descobre-se nu.
Assim,
Simplesmente assim,
Exposto, cara limpa, um rosto.
Cala, cala!
Desgosto, deboche, chacota.
Que importa?
Tarde demais,
Já deu.
É óbvio!  
Era esperado,
Quem não sabia?
O sol levanta-se, não faz sua cama,
Lava-se em água fria,
Reclama,
Não esvazia a bacia.
A boca pede água,
Quando quer beijos,
Bebe, deixa o sobejo que,
Óbvio, não bebo.
O vento bate à porta,
Preguiçosa, esta geme,
Reclama mas abre-se e,
Óbvio,
Não há ninguém.
A impaciência não espera.
Ficou a insolência, as coisas,
A canga,
A cantiga de nina,
O copo vazio, a razão,
O óbvio.


                     @